"Os portugueses vivem aquém das suas possibilidades"

Sem uma referência ao seu rival nas eleições primárias, Costa levou ao rubro esta noite um auditório a rebentar pelas costuras, numa escola do ribatejo. As críticas a Seguro ficaram nas mãos de Carlos César.

António Costa quer que Portugal volte a "ganhar confiança e saia do círculo vicioso, de vistas curtas e opções limitadas", da "cartilha" da troika, porque "como disse Jorge Sampaio "há mesmo mais vida além do défice". Numa sessão para apoiantes e Abrantes - concelho em que se inscreveram cerca de 500 simpatizantes, 10 vezes mais que os miltantes ativos - o candidato às primárias do PS salientou que "ao contrário do que nos andaram a dizer, os portugueses não viveram acima das suas possibilidades, os portugueses vivem aquém das suas possibilidades". Para Costa "é inadmissível andar a formar", por exemplo, "engenheiros para irem trabalhar em empresas alemãs que depois reforçam a sua capacidade competitiva à custa do nosso esforço". Voltou a salientar a necessidade de ter uma "visão estratégica para o país", a "bússola que dá rumo" porque quem anda ao "sabor do vento não encontra o próprio destino". E "é preciso fazer sentir que o país pode ter um rumo, uma bússula e liderança".

António Costa insistiu que a política europeia, defendida pelo novo presidente da Comissão, bem como pelo dirigente do BCE, passou a advogar a necessidade de apoiar o investimento público para a recuperação económica. "Só o Governo é que ainda não percebeu e insiste na velha politica da troika como se nada tivesse acontecido", asseverou.

Numa referência ao aumento do salário mínimo esta quarta-feira para 505 euros, António Costa lembrou que "é necessário continuar a trajetória de crescimento, congelada em 2011 pela troika" que previa que em 2015 atingisse os 520 euros. Costa lembrou que 10% das pessoas que rececebem salário mínimo "estão abaixo do limiar da pobreza", sublinhando que "numa sociedade decente o valor do trabalho tem que ser respeitado".

A estabilidade nos rendimentos, com a promessa que "com o PS a Constituição será cumprida", e repostos os cortes nas pensões e nos apoios sociais, um plano de combate à pobreza infantil e juvenil, um reforço no investimento público em setores como a construção, foram outros dos temas abordados neste comício.

Costa não fez qualquer referência ao seu adversário, mas antes, o seu mandatário nacional, Carlos César, fez as honras da casa. "Apesar de afirmações menos felizes e mais impróprias feitas pelo candidato que nos é oponente", valeu a "pena esta campanha", disse o dirigente açoreano, que admite que isso "tenha prejudicado a capacidade para reforçar o PS e ganhar próximas eleições". Mas, garantiu, "já na segunda-feira o António Costa vai começar a reconstruir a unidade e a credibilidade necessária". Para César os resultados das eleições europeias foram a prova de que o partido "não estava a fazer o que devia para que o descontentamento não se esgotasse no desânimo e a alternativa não se esgote no protesto". E o golpe mais duro a Seguro: "Fazer florescer a alternativa não é tarefa para qualquer floricultor de tesoura na mão. É uma tarefa de grande exigência que só o António Costa pode responder", para "romper com o imobilismo e com a incapacidade de dar confiança aos portugueses".

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