"Os imigrantes devem votar em quem os defende"

Marisa Matias entende que numa altura em que "voltamos a ser um país de emigrantes, devemos tratar os imigrantes como gostaríamos que tratassem os portugueses nos outros países".

Marie Basse, senegalesa, é a única que veste trajes tradicionais do seu país, no almoço convívio organizado pelo Bloco de Esquerda (BE) no parque central da Amadora. Mas tem nacionalidade portuguesa há sete anos, "com todos os direitos como cidadã europeia", como faz questão em frisar. E Marie vota. "Desde que adquiri a nacionalidade que voto sempre. No Senegal também votava. Foi uma conquista difícil e nem me passa pela cabeça não votar", sublinha. Marie não entende porque "há muitos imigrantes que não votam apesar de já terem esse direito. Não entendo que, se posso mudar e escolher quem me governa, fique em casa só a reclamar. Os imigrantes devem votar em quem os defende".

É este tipo de motivação que a cabeça de lista do BE, Marisa Matias, quis sentir, quando colocou na agenda a imigração. "Esta União Europeia não tem tido só uma voragem neoliberal, também tem visto reforçados o racismo e a xenofobia em muitos países, como a França. Numa situação de crise, como a que vivemos atualmente, são as minorias, como os imigrantes, as mais atingidas e atacadas. É preciso estarmos atentos a esses sinais", alerta Marisa.

A eurodeputada assinala que "voltámos a ser um país de emigrantes e devemos tratar os imigrantes como gostaríamos que tratassem os portugueses nos outros países".

Marisa Matias lembra que o BE tem tido "várias iniciativas" no parlamento europeu relacionadas com a proteção dos direitos dos imigrantes. "A Europa, que foi construída com uma base de direitos humanos e de solidariedade, está cada vez mais fechada. O Mediterrâneo está a transformar-se num cemitério. É inadmissível que um imigrante que morra a tentar chegar à Europa tenha direito a cidadania europeia, mas quem é apanhado para uma multa de 5000 euros".

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