Orçamento só tem "uma solução: veto puro e simples"

Secretário-geral do PCP afirmou que Orçamento do Estado para 2014 "confronta o Presidente da República com as suas responsabilidades" e o "compromisso" de Cavaco na "defesa da Constituição".

Falando na abertura das Jornadas Parlamentares do PCP, em Faro, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou que, "em coerência", o Orçamento do Estado para 2014 "devia ter uma única solução": "O veto puro e simples e a sua devolução à Assembleia da República para o conformar com a Lei fundamental e os verdadeiros interesses dos portugueses e do país."

Para Jerónimo, a lei aprovada há dias pelo Parlamento "confronta o Presidente da República com as suas responsabilidades e o seu compromisso de defesa da Constituição". É esse compromisso que devia levar Cavaco Silva a vetar o Orçamento, reivindicou o líder comunista.

Numa intervenção que manteve um discurso muito crítico face ao Orçamento do Estado (que só PSD e CDS viabilizaram, na Assembleia da República), Jerónimo de Sousa sublinhou que, a concretizar-se, "pelo volume dos cortes envolvidos acrescentará mais crise à crise". "Trará mais desigualdades e injustiças, mais dramas, privações e sofrimentos para os portugueses", notou.

O secretário-geral do PCP deu o exemplo do Algarve - região escolhida para estas jornadas, que decorrem hoje e amanhã -, como "reflexo de um política de desastre social e nacional". Sublinhando a importância do turismo, Jerónimo criticou a "dependência" da região neste sector, fazendo notar que, "alardeiam que este foi o melhor ano de sempre do turismo", mas "omitem que o Algarve continua a ser a região mais penalizada com o drama do desemprego" e "continua a bater o recorde do aumento da precariedade das relações de trabalho".

Antes, já João Oliveira (nas suas primeiras jornadas como líder do grupo parlamentar), tinha justificado a escolha da região algarvia pelos comunistas. "O Algarve que fica depois do fim do verão é o retrato do país que resta depois de satisfeitos os interesses por detrás da 'troika'."

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