Optimus mandou dados para a Justiça

(ACTUALIZADA) A auditoria interna realizada na empresa de telecomunicações Optimus relativamente ao caso da "espionagem" do ex-jornalista do "Público" Nuno Simas já foi enviada, na sua versão preliminar, para o Ministério Público, anunciou esta tarde o presidente da Comissão Executiva da empresa, Miguel Almeida.

Este facto indicia ter-se encontrado matéria criminal nessa auditoria.

Miguel Almeida responde esta tarde na Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, sobre o caso da alegada "espionagem" a Nuno Simas, ex-jornalista do jornal "Público" e actualmente director adjunto de Informação da agência Lusa, por parte dos serviços de informações do Estado.

Na audição parlamentar, Miguel Almeida nunca rejeitou a interpretação unânime dos deputados de que o envio das conclusões para a justiça indicia ilícitos criminais. Vincou antes a mensagem de que a operadora é vítima de um acto ilegal. E garantiu que o acto "terá consequências" no que à Optimus diz respeito.

O presidente da Optimus afirmou ainda que apenas cinco pessoas da sua empresa têm acesso à activação de intercepção de comunicações e que também só cinco acedem à base de dados cedida para processos judiciais.

Na audição, o presidente da Optimus fez uma distinção entre o tratamento comum dado à faturação de detalhada dos clientes e a base de dados separada para fins judiciais.

Enquanto que a gestão do cliente envolve cerca de 1500 trabalhadores, a informação cedida para processos judiciais, que faz parte de uma aplicação diferente existente no sistema da sua empresa, é guardada por um ano e, "como é específica [para fins judiciais], o acesso é muito mais restrito".

"Estamos no universo de cinco pessoas, o mesmo número no que se refere a práticas de activação de intercepções de comunicações", disse, após questões formuladas pelo deputado comunista João Oliveira.

No entanto, o presidente da Optimus recusou-se a responder ao mesmo deputado quando este o questionou se o jornalista Nuno Simas alguma vez constou da base de dados da Optimus separada para fins judiciais.

"Não poderia dizer - e também não saberia - se o jornalista em causa, no período em causa, estaria sob objecto de alguma investigação judicial", respondeu.

Ao longo da audição, que durou cerca de duas horas, Miguel Almeida procurou passar duas mensagens essenciais: A Optimus é vítima neste processo e o seu sistema de confidencialidade de dados pessoais é seguro.

"Apresentámos uma queixa-crime ao Ministério Público contra desconhecidos, porque parece haver evidência de um crime. A ter existido um crime a Optimus é vítima, queremos saber quem cometeu esse crime e que sofra as consequências do mesmo", declarou.

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