Oposição critica discurso "separatista" de Jardim

Os maiores partidos da oposição na Assembleia Legislativa da Madeira classificaram hoje como "separatista" e "manobra de diversão" o discurso do presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, que questionou o trabalho da República Portuguesa no arquipélago.

"É um discurso separatista para desviar as atenções", afirmou o presidente do PS-Madeira, Victor Freitas, considerando que Alberto João Jardim "usou o livro de cheques dos madeirenses, criou uma dívida em nome deles e, como sempre, quer encontrar inimigos onde eles não estão".

O presidente do Governo Regional disse hoje que se a região chegar a 2015 com as finanças consolidadas, a população tem o direito a perguntar o que faz a República Portuguesa no arquipélago.

Na Ribeira Brava, onde explicou, após a missa dominical, as circunstâncias que levaram a região a ter uma dívida de seis mil milhões de euros e a necessitar de ajuda financeira, Alberto João Jardim declarou: "Tudo o que a Madeira fez de novo, foi o povo madeirense que pagou; a dívida está o povo madeirense a pagar, a minha pergunta é muito simples e acho que em 2015 as pessoas têm o direito de se interrogar, o que é que faz aqui a República Portuguesa?".

"Paga às polícias, paga aos tribunais, paga aquilo que nos vigia, mais nada. O que é que faz aqui a República Portuguesa? Esta é a pergunta que se vai pôr se nós conseguirmos consolidar as nossas finanças e perante o facto de eles aqui não terem feito nada", declarou Alberto João Jardim.

O líder do PS-M desafiou Alberto João Jardim a "não esperar por 2015 e a afrontar os órgãos de soberania contrariando a lei e fazendo um referendo sobre a independência da Madeira, para ver qual é a resposta da população".

Segundo Victor Freitas, o presidente do Governo Regional "não quer a independência da Madeira porque quer continuar a receber as verbas do Estado", realçando que "utiliza este truque, mas em Lisboa já ninguém o leva a sério".

O presidente do PTP-M, José Manuel Coelho, afiançou que "os madeirenses não vão atrás do discurso separatista", questionando: "Quem vai pagar ao reformas e os pensionistas se isto for independente?".

Para o presidente do CDS/PP-M, José Manuel Rodrigues, o governante "tenta, mais uma vez, fazer uma manobra de diversão para que as pessoas esqueçam os seus erros nos últimos dez anos que conduziram a região à ruína, ao pedido de resgate e à consequente austeridade".

Aconselhando o presidente do executivo regional a "governar mais e a discursar menos", José Manuel Rodrigues disse ainda não acreditar na consolidação orçamental da Madeira nos próximos quatro anos, porque o programa de assistência financeira "não é comportável para as finanças públicas e é insuportável para a população".

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG