Oficiais na expetativa sobre encontro do PR com chefias

As "angústias por que passam os militares" justificam a realização do encontro entre o Presidente da República e as chefias militares na segunda-feira, disse esta quarta-feira o líder da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA).

"Não deixa de ser curioso que uma reunião de urgência [assim noticiada pelo jornal Público esta quarta-feira] seja convocada para uma semana depois", referiu ao DN o coronel Manuel Cracel, mas a sua realização mostra que Cavaco Silva "resolveu preocupar-se também com as angústias" em que vivem os militares, adiantou.

Subjacente a esta observação do presidente da AOFA está o facto de o Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas nunca ter-se reunido com as associações profissionais de militares, apesar da sua existência legal, lembrou ao DN o presidente da Associação Nacional de Sargentos (ANS), Lima Coelho.

Tanto Manuel Cracel como Lima Coelho disseram apoiar integralmente as recentes afirmações do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), apresentadas como uma das razões - a par das "ondas de choque mediáticas provocadas" pelo recente diploma de redução de efetivos, promulgado pelo próprio Cavaco Silva - que levaram o Presidente da República a chamar as "chefias militares a Belém com caráter de urgência", segundo o jornal Público.

Recorde-se que o CEMGFA, general Luís Araújo, disse há dias na RTP que os militares passam pelos mesmos problemas e dificuldades dos outros cidadãos.

"Nós somos seres humanos, temos sentimentos, temos família, nós temos alma. Nós temos participado no esforço de arranjo das contas públicas portuguesas, não podia ser de outra forma. O que não quer dizer que sejamos submissos", afirmou o CEMGFA.

Lima Coelho fez questão de subscrever as afirmações do CEMGFA: "Somos homens e mulheres que sentimos na pele todos os problemas que aí estão. Não somos propriamente robôs ou autómatos, não temos couraças ou armaduras, sentimos tudo o que está a acontecer. Estamos subordinados ao poder político, mas, como disse o senhor general, subordinados não significa submissos e muito menos subservientes."

Congelamento das promoções, cortes salariais, bloqueamento das carreiras, redução de efetivos (leia-se menos vagas), redução das verbas para o regime de Assistência na Doença dos Militares e não pagamento dos complementos de pensão são algumas das razões de queixa dos militares que se arrastam há anos.

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