OE2022: Rio compreende esforço de Marcelo pela aprovação se for feito com partidos e não "avulsamente"

Presidente do PSD disse não ter conhecimento de que essas diligências tenham sido feitas junto de deputados do seu partido e garantiu que não foram feitas consigo

O presidente do PSD disse esta terça-feira compreender o esforço do chefe de Estado pela aprovação do Orçamento do Estado, considerando que "é legítimo" se for feito através das direções dos partidos, mas menos "ortodoxo" se feito "avulsamente".

Rui Rio foi questionado pelos jornalistas no parlamento sobre as afirmações do Presidente da República, que revelou esta terça-feira que fez "diligências complementares", que recusou especificar, até ao começo do debate do Orçamento do Estado para 2022 na generalidade e considerou que fez o que tinha a fazer.

O presidente do PSD disse não ter conhecimento de que essas diligências tenham sido feitas junto de deputados do seu partido e garantiu que não foram feitas consigo, "até porque seria tempo perdido", uma vez que informou Marcelo Rebelo de Sousa da decisão da direção social-democrata de votar contra o Orçamento do Estado na recente audiência em Belém.

Rui Rio foi ainda questionado sobre como avalia esta atuação do Presidente da República, na véspera da votação de um Orçamento com chumbo anunciado.

"Depende, se fez junto de direções, junto de partidos, acho que é legítimo. Se fez avulsamente, aqui ou acolá, já não me parece a forma mais ortodoxa de atuar, mas não posso comentar o que não sei", disse.

O presidente do PSD disse compreender que o Presidente da República faça um esforço para que haja estabilidade e o Orçamento do Estado seja aprovado.

"Embora se a ideia do senhor Presidente da República fosse o orçamento passar cedendo ao BE e PCP, aí estou em discordância. Acho que é melhor para o país este Orçamento não passar, haver uma clarificação e eleições antecipadas", disse.

Rio considerou que "se o Orçamento é mau, com as alterações do PCP e do BE seria dramático".

Questionado sobre a audiência concedida esta terça-feira à tarde pelo chefe de Estado ao eurodeputado Paulo Rangel - seu adversário na disputa interna pela liderança do PSD -, Rio mostrou-se surpreendido e disse não conhecer a razão.

Esta terça-feira, Marcelo Rebelo de Sousa admitiu ter feito "até ao momento do começo do debate" diligências complementares para ver se era possível um entendimento.

Questionado se conseguiu estabelecer pontes, o chefe de Estado não adiantou o resultado dos seus contactos: "Eu não tenho acompanhado o debate [do Orçamento na Assembleia da República] hoje, mas sabem como verdadeiramente esse é o domínio do diálogo em que os partidos políticos, no parlamento e fora do parlamento, têm a palavra".

"Essa palavra vai até ao último segundo antes da votação [na quarta-feira]. Mas eu sinto que fiz o que tinha a fazer", acrescentou o Presidente da República.

Interrogado sobre que diligências fez e se estão relacionadas com os deputados eleitos pela Madeira, respondeu: "Eu não especifico diligências que faço. Achava que devia fazê-las dentro do que era possível num determinado contexto. No fundo, foram vários os que intervieram ao longo deste processo. E agora a palavra é da Assembleia da República, o debate está a correr, vai correr".

O debate do Orçamento do Estado para 2022 na Assembleia da República na generalidade começou esta terça-feira e termina na quarta-feira, com a votação da proposta do Governo.

Com os votos contra anunciados por PCP, BE e PEV, que se juntam aos dos partidos à direita, PSD, CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal, somando 117 no total, o Orçamento será chumbado na generalidade -- um cenário que o Presidente da República avisou que conduzirá à dissolução do parlamento e a eleições antecipadas.

A proposta do Governo conta apenas com os votos a favor dos 108 deputados do PS e cinco abstenções, do PAN e das deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira.

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