O senhor que se segue tem sotaque do Porto, toca piano e é do Benfica

Fernando Medina nasceu com os pais, do PCP, na clandestinidade e cresceu num ambiente fortemente politizado.

Fernando Medina foi membro dos dois executivos de Sócrates como secretário de Estado (primeiro do Emprego e depois da Indústria) e a parte final - até ao pedido de ajuda à troika - revelou-se de tal forma traumática que jurou nunca mais voltar a ser membro do governo.

Foi com surpresa que no verão de 2013 recebeu o convite de António Costa para seu vice-presidente no mandato seguinte. A reconciliação com a política foi imediata.

Medina, nascido a 10 de março de 1973, é cerca de doze anos mais novo do que António Costa (nasceu em 17 de julho de 1961). No entanto, têm ambos em comum terem crescido num ambiente fortemente politizado e influenciado pelo PCP.

Medina nasceu com os pais - Helena Medina e Edgar Correia (1945-2005), ambos militantes comunistas - na clandestinidade (deixariam o partido na debandada do final do século XX). Costa também é filho ele próprio de um militante do PCP, o escritor Orlando Costa (1929-2006). A mãe, Maria Antónia Palla, jornalista, tornou-se militante do PS depois do 25 de Abril. António Costa também - tinha apenas 14 anos.

Fernando Medina foi criado no Porto e por isso de vez em quando ouve-se-lhe um distintíssimo sotaque nortenho.

Futebolisticamente, afirma-se do Benfica (Costa também o é, aliás). Quando tem tempo, pratica ténis, para manter a forma física. Toca piano com esmero - tem o Curso Geral de Piano -, mas foi nos números que encontrou a vocação. Licenciado em Economia pela Universidade do Porto em 1998, concluiu o mestrado, em 2003, em Sociologia Económica, já no Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa. É casado com uma advogada e têm dois rapazes.

Agora, na Câmara Municipal de Lisboa, detendo o pelouro das Finanças, ganhou uma posição preponderante no executivo, confirmando-se substantivamente como número dois de Costa e seu sucessor. Foi uma das pessoas responsáveis por se ter criado de que Costa acumularia a presidência da câmara com o cargo de secretário-geral do PS o mais tempo que pudesse - podendo mesmo só deixar o cargo já com a certeza absoluta de que seria primeiro-ministro. "Espero que Costa me passe a pasta já que resultará de ser eleito primeiro-ministro", disse ao DN a 12 de novembro de 2014.

De vez em quando comenta as incidências nacionais da política, já que integra o Secretariado Nacional do PS. Há duas semanas criticava a postura do governo de Passos Coelho perante o plano Juncker (um plano europeu de investimento público). Este, disse, "é tudo aquilo que o governo português sempre recusou: negou que Portugal necessitasse de uma resposta europeia, e este é um programa à escala europeia; negou em absoluto a necessidade de um investimento de iniciativa pública; e negou em absoluto os elementos que permitiriam a Portugal recuperar mais rapidamente da crise."

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