Novo líder ataca "monstruosidade económica e social"

No encerramento do conclave da central sindical, Arménio Carlos criticou as políticas económicas do Governo, o acordo de concertação social e exigiu renegociar a dívida. Para o final ficou apenas uma breve referência a Carvalho da Silva

O novo secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, atacou hoje na sua intervenção de encerramento do XII Congresso da central sindical a "monstruosidade económica e social" que é o acordo de concertação social. Num discurso marcadamente ideológico, sem falas mansas, e muitas vezes interrompido por congressistas galvanizados pelas palavras de Arménio Carlos, o secretário-geral da CGTP deixou avisos ao Governo de que "jamais atirará a toalha ao chão".

O líder que se sucede a 25 anos de Carvalho da Silva não tem dúvidas em sublinhar que "a política do Governo do PSD-CDS está a destruir a economia, a promover perigosas ruturas na sociedade, a subverter os princípios constitucionais, a sacrificar direitos dos trabalhadores e a esvaziar o Estado social". E resumiu um conjunto de exemplos que "eles sabem, mas não dizem" que "quanto mais pagamos, mais devemos, logo, menos soberania temos".

Por isto, a CGTP - pela voz de Arménio Carlos - voltou a insistir na necessidade de "renegociação da dívida, nos prazos, juros e montantes, no prolongamento do período para a redução do défice público, porque é no crescimento e na criação de mais e melhor emprego que está o futuro do país".

Do acordo de concertação social, o secretário-geral eleito insistiu que este é "inadmissível" e "não é lei". A resposta ao mesmo, garantiu, será dada "nas empresas e na rua", nomeadamente na manifestação já anunciada a 11 de fevereiro, "contra as malfeitorias" inscritas no texto do acordo tripartido entre Governo, patronato e UGT. Afinal, disse, "não somos todos responsáveis pela crise, não são os trabalhadores, os pensionistas, os jovens os responsáveis". E rematou esta ideia com uma frase vincadamente ideológica: "Nós somos os explorados, eles são os exploradores."

O pano do XII Congresso da CGTP caiu este sábado à noite com a saudação de Arménio Carlos a todos os que construiram este encontro realizado em Lisboa, mas também aos que deixam os órgãos dirigentes da central sindical, nomeando em conjunto todos os que deixaram a Comissão Executiva. Foi a única referência a Manuel Carvalho da Silva, que deixou ontem a liderança da CGTP.

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