Nos últimos 40 anos, a sociedade produziu muitos ricos, e alguns deles muito rapidamente"

As salamandras acesas aquecem a sala de fumadores do Spianata, uma espécie de avançado no terraço traseiro do restaurante ao cimo da Rua de Santa Quitéria. Teresa Leal Coelho escolheu-o por três razões: fica a meio caminho entre a sede do partido e a Assembleia da República, é propriedade de uma amiga e, sobretudo, gosta de ir puxando por um cigarro à medida que as conversas avançam.

A deputada do PSD controla o relógio com ansiedade. É o dia em que o Parlamento vota a adoção por casais homossexuais e Teresa Leal Coelho não quer perder pitada dos trabalhos. "Ao longo desta legislatura já tivemos vários projetos para a adoção e a coadoção. E este último foi aprovado na generalidade. Considero que esta é matéria de direitos, liberdades e garantias. Quando discutimos a admissibilidade da coadoção estamos a falar na necessidade de eliminar uma restrição que está concretizada na lei e que se aplica exclusivamente a situações que já existem. São crianças que vivem em determinada família. E, portanto, encontro na ordem jurídica portuguesa uma norma que proíbe a coadoção no caso dos casais homossexuais. Essa restrição é discriminatória em relação à criança, porque fica menos protegida do que uma criança em iguais circunstâncias desde que o casal seja heterossexual.

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Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

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