"Não vale a pena apelar a qualquer insurreição", diz Portas. Vitória da PàF é "clara"

"As coisas são o que são. Não é por isso possível tentar transformar uma derrota nas urnas numa espécie de vitória de secretaria", avisou o vice-primeiro-ministro, deixando mensagem à esquerda.

Paulo Portas congratulou a coligação PSD/CDS pela sua vitória "clara" nas eleições, e deixou recados à esquerda, sublinhando que o momento requer "abertura e compromisso", que não vale a pena apelar "a qualquer tipo de insurreição" tendo em conta os resultados que favorecem a direita.

A coligação Portugal à Frente, declarou o vice-primeiro-ministro perante jornalistas e apoiantes, venceu as eleições, recuperando relativamente ao seu fraco resultado nas eleições europeias. "Progredimos significativamente, embora não totalmente, na reconciliação com o nosso eleitorado", afirmou, mas sublinhou: "Este resultado desmente os que nos deram por acabados".

Portas assumiu, porém, que embora o PSD/CDS tenha vencido as eleições, fê-lo sem maioria absoluta. "Sabemos ler e respeitar essa dupla circunstância", declarou. Para lidar com essas condições, Portas prometeu que a PàF teria um "espírito responsável de abertura e compromisso". Já em relação àqueles que, como Gabriela Canavilhas, reivindicam um governo de esquerda, Portas declarou peremptoriamente: "As coisas são o que são. Não é por isso possível tentar transformar uma derrota nas urnas numa espécie de vitória de secretaria".

O vice-primeiro-ministro aproveitou ainda para deixar recados à esquerda, criticando aqueles que, durante a campanha, tentaram "desenhar uma estratégia de obstrução sistemática". Paulo Portas acredita que os resultados da eleição mostram que essas vozes foram rejeitadas. "Engana-se quem julga que o radicalismo serve para governar um país", declarou. "Não vale a pena apelar a qualquer insurreição".

O líder do CDS-PP aproveitou ainda as circunstâncias para reivindicar para o seu partido a posição de terceira grande força parlamentar, rejeitando que a posição pertença ao Bloco de Esquerda, que obteve o seu melhor resultado de sempre. "A larga maioria do parlamento continua a ser formada pelos partidos do arco da governabilidade", declarou, estabelecendo assim uma diferença entre as legislativas portuguesas e o sucesso, em Espanha e na Grécia, de forças políticas mais à esquerda. "Não vale por isso a pena apelar a qualquer insurreição. Os portugueses não perdoariam que a sua vontade expressa democraticamente fosse desrespeitada".

"A nossa área política é chamada a governar quando a casa está a arder. Agradecemos aos portugueses a oportunidade que nos dão de poder governar em tempo de crescimento", afirmou Paulo Portas, falando ao lado do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG