"Não se pode apoiar política da recessão e dizer que é preciso cuidado porque vem aí recessão", diz BE

O BE acusou hoje o Presidente da República de ser "incongruente" e de "jogar com as palavras", afirmando que "não se pode apoiar a política da recessão e dizer que é preciso cuidado porque vem aí uma recessão".

"A preocupação do Presidente da República é sempre limitada pelo seu apelo a um compromisso nacional com a política que vai levar o país para o abismo, esta política que está a ser aplicada pelo Governo vai trazer mais crise para dentro da crise, vai cavar mais fundo a recessão que o país vive", declarou o dirigente bloquista Jorge Costa. "Não se pode falar de coesão social, de equidade na repartição dos sacrifícios, de um compromisso nacional, em que todos juntos temos de estar em torno da política do Governo, como faz o Presidente da República, para depois dizer que está muito preocupado com o agravamento das desigualdades", acrescentou.

O membro da Comissão Política do BE, que reagia ao discurso de Ano Novo do Presidente da República, Cavaco Silva, numa conferência de imprensa na sede do partido, considerou que na declaração do chefe de Estado ao país "não houve ideias novas". "Quando o Presidente da República fala na necessidade de promover o crescimento económico, o Presidente da República sabe que esse crescimento é totalmente inviável a partir de políticas que só podem gerar recessão", notou. Para o BE, "essa incongruência de base do Presidente da República" é "uma grande dificuldade do seu discurso". "Quem fala de crescimento, apoiando uma política como esta, está a jogar com as palavras", criticou.

"Não se pode apoiar a política da recessão e dizer que é preciso cuidado porque vem aí uma recessão, e essa dificuldade que tem o discurso do Presidente da República é a que nós enfrentamos e a que a esquerda enfrenta no momento atual do debate político no país, é saber se a austeridade e a corrida para o abismo é o único caminho, ou se há outro caminho", disse. O bloquista advogou ainda que "só a esquerda está presente" no debate sobre as alternativas às políticas de austeridade, através da discussão sobre "a renegociação da dívida, o reforço do poder de compra e do restabelecimento de um modelo produtivo e de uma economia virada para a autonomia do país". "Do lado do Governo e dos partidos que apoiam o memorando da 'troika', do lado da Presidência da República, a resposta que temos é sempre a mesma, que só há um caminho, é o caminho da austeridade e da corrida para o abismo", assinalou.

Jorge Costa rejeitou ainda a ideia de que haja responsabilidades repartidas por toda a sociedade no que respeita à situação difícil de Portugal: "O BE não concorda com essa perspetiva e não a aceita, a crise que vivemos tem responsabilidades, é de quem dirigiu a economia, de quem fez a escolha de criar uma espiral de dívida e uma economia cada vez menos produtiva, um país cada vez mais dependente, uma banca cada vez mais hegemónica". "Foram esses os responsáveis, entre os quais o Presidente da República, os governos do PS, os governos da direita, e que trouxeram o país à situação em que se encontra", acusou.

O Presidente da República, Cavaco Silva, considerou que a resolução das dificuldades nacionais exige, além de rigor orçamental, uma agenda para o crescimento e emprego, sem a qual "a situação social poderá tornar-se insustentável". Na sua mensagem de Ano Novo, transmitida pela RTP, Cavaco Silva apelou ao "diálogo construtivo entre o Governo e a oposição" e ao "aprofundamento da concertação social", alertando para a necessidade de preservação da "coesão nacional" e da "coesão social".

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