"Não queremos que pensem que somos esquizofrénicos"

O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho reuniu-se esta tarde com o seu homólogo italiano. No final, referiu-se à carta assinada por 12 primeiros-ministros europeus e que ele não foi convidado a subscrever.

Mario Monti foi um dos doze primeiros-ministros da União Europeia que, na semana passada, dirigiram aos presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu uma carta intitulada "Um plano para o crescimento na Europa", que Passos Coelho não foi convidado a subscrever.

Esta tarde, no final da reunião com o primeiro-ministro italiano, Passos Coelho referiu-se à iniciativa e salientou o momento que se vive neste conselho europeu de quinta e sexta-feira.

"É a primeira vez, seguramente desde que sou primeiro ministro, se não dos últimos dois anos, que participaremos num Conselho Europeu que não está dominado pelo problema da crise da dívida grega", notou. "Teremos ocasião para olharmos para planos de reformas de todos os países e ver de que maneira poderemos responder aos nossos cidadãos e conciliar reforma que é amiga de crescimento com reformas que ponham as contas em ordem", defendeu, recusando a ideia daqueles que acham que existe alguma esquizofrenia neste Governo.

"Não queremos que pensem que estamos a ficar esquizófrenicos. Precisamos de controlar a dívida e, ao mesmo tempo, tirar o maior proveito possível das potencialidades de mercado interno", disse.

Passos Coelho elogiou o facto de o novo Governo italiano ter, "em tão pouco tempo", conseguido alterar expectativas quanto ao futuro. "Em três meses não se pode resolver todo um programa de vários anos, mas quando agentes e cidadãos acreditam que o que estamos a fazer é coerente às vezes bastam alguns dias para que a forma como olhamos para o futuro se altere radicalmente", afirmou, lançando um alerta aos líderes europeus e à forma como olham para a Europa.

O primeiro-ministro português referiu-se ainda ao "reexame muito positivo" da troika. "Mostra que conjunto de reformas estruturais que constituem a pedra angular do programa de assistência financeira estão a cumprir do ponto de vista do calendário, mas também de substância política", começou. Passos Coelho mostrou-se ainda convicto de Portugal poderá regressar ao mercados dentro do prazo estabelecido, em setembro de 2013.

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