"Não há qualquer conflito" no caso António Borges

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou hoje que não há "nenhuma incompatibilidade", quer legal, quer política, entre as funções que António Borges vai desempenhar na administração da Jerónimo Martins e de consultoria junto da Parpública.

No final da cerimónia de comemoração dos 20 anos da introdução da Bioética Científica em Portugal, que decorreu na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Pedro Passos Coelho foi questionado pelos jornalistas sobre se via algum conflito de interesses na posição de António Borges, tendo sido perentório na resposta: "Nenhum".

"O professor António Borges integra uma equipa que vai prestar serviço de consultadoria à Parpública, e portanto ao Governo, num conjunto de matérias que estão bem descritas e que realmente não contendem com a sua posição quer na Fundação Champalimaud quer, se for essa a sua decisão, no Grupo Jerónimo Martins, numa posição de administrador não-executivo. Não, não há qualquer conflito", respondeu.

O primeiro-ministro acrescentou ainda que lhe pareceu "muito correto" da parte de António Borges "ter colocado previamente, e de forma tão transparente ao Governo, essa questão porque não há nenhuma incompatibilidade legal, mas podia o Governo ver, realmente, alguma incompatibilidade de natureza política".

"Mas não há, como de resto já foi expresso pelo gabinete da senhora secretária de Estado", acrescentou.

Questionado sobre as críticas que durante todo o dia surgiram dos partidos de oposição, Passos Coelho respondeu: "Não ouvi as críticas da oposição, mas estou a responder com muita clareza às perguntas que os senhores jornalistas estão a fazer, dizendo que essa questão, para o Governo, não se põe".

"Não há nenhuma incompatibilidade, portanto não vejo que haja qualquer fragilização que possa resultar para o professor António Borges", rematou.

A Sociedade Francisco Manuel dos Santos, acionista da Jerónimo Martins, propôs na quinta-feira o alargamento do conselho de administração da empresa para 11 membros, com a entrada do economista António Borges e do responsável financeiro Alan Johnson como vogais.

Este é um dos pontos que o acionista Sociedade Francisco Manuel dos Santos pretende incluir na assembleia-geral da Jerónimo Martins, SGPS agendada para 30 de março.

António Borges, antigo diretor do departamento europeu do Fundo Monetário Internacional (FMI), vai liderar uma equipa governamental que funcionará no âmbito da Parpública para acompanhar as privatizações, de acordo com uma entrevista do primeiro-ministro ao semanário Sol em fevereiro.

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