"Não há orientação" do Ministério para despedimentos

O secretário de Estado da Defesa disse hoje que não há nenhuma orientação para a dispensa de trabalhadores dos Estaleiros Navais do Alfeite, mas o sindicato esclareceu que não foram dadas garantias quanto ao futuro de 200 postos de trabalho.

"O que o secretário de Estado nos disse foi, que hoje não está prevista a dispensa de trabalhadores, mas que amanhã ou depois não sabe. As palavras são dele e isto é uma situação que nos causa imensa preocupação", afirmou Rogério Caeiro, do Sindicato dos Trabalhadores Civis das Forças Armadas (STEFFAS), no final de uma reunião com Paulo Braga Lino, o qual acompanhou o ministro da economia numa visita ao Arsenal do Alfeite, com governantes argelinos, para atrair investimento.

"O que está garantido é o nosso maior empenho em viabilizar o estaleiro, em garantir a sua sustentabilidade e o seu futuro. Não há nenhuma orientação para, neste momento, haver dispensa de qualquer trabalhador. Nem por parte do Ministério da Defesa nem da Empordef", salientou o secretário de Estado, acrescentando que a visita do ministro argelino da Indústria, se insere "na busca de clientes alternativos", não apenas para os estaleiros do Alfeite, como para outras empresas.

"Informou-nos [secretário de Estado] de que está a receber várias delegações de outros países, como esta da Argélia, no sentido de tentar alargar o mercado de trabalho fora do âmbito da Marinha, já que a mesma não tem disponibilidade financeira. Não nos colocou a hipótese de vender os estaleiros e esperamos que isso não esteja em cima da mesa, pois não assumimos tal cenário", defendeu o dirigente sindical.

Segundo Rogério Caeiro estão em causa 200 postos de trabalho. "Esse número foi avançado por algumas chefias aos trabalhadores mas o secretário de Estado não falou em números concretos, apesar de ter sido confrontado com esse valor", esclareceu o sindicalista.

O dirigente sindical adiantou que a última grande reparação feita pelos cerca de 600 trabalhadores terminou em meados de outubro e que desde essa altura os operários têm-se dedicado a trabalhos de manutenção e de recuperação de infraestruturas, de máquinas e de ferramentas.

Nos próximos meses o único contrato já assegurado é a reparação da corveta João Roby, a qual está prevista estar em reparação de maio até novembro, mas que, segundo Rogério Caeiro apenas ocupará cerca de "100 a 120 trabalhadores".

Álvaro Santos Pereira e Paulo Braga Lino visitaram hoje, com o ministro argelino da Indústria, das PME e da Promoção do Investimento, Mohamed Benmeradi, o Arsenal do Alfeite, em Almada, no âmbito da II Reunião do Grupo de Trabalho Luso-Argelino, que termina hoje em Lisboa.

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