"Não faço nem peço favores a ninguém", garante Passos

Passos Coelho aproveitou hoje um ataque do Bloco de Esquerda para passar no Parlamento uma imagem de político indiferente a todas as pressões, mesmo vindas dos mais poderosos.

Angola, foi o pretexto. Catarina Martins salientou a contradição entre o facto de o primeiro-ministro ter intercedido junto das autoridades angolanas para vender o BPN e agora nada ter feito para impedir que Angola revogasse as garantias que cobririam no BES perdas da sucursal do banco naquele país.

"É dificil perceber como achou que tinha de intervir em Angola para vender o BPN e agora não tem nada a ver com isto. Bem pode o mexilhao português vir a pagar o calote da élite angolana e o senhor não quer saber", disse a porta-voz do BE.

Num primeiro momento, Passos tentou explicar: interveio na venda do BPN porque o banco estava estatizado e o memorando da troika impunha a sua venda; não interveio no caso BES porque o banco é privado. "Não é matéria da competência do Governo, é da competência do Banco de Portugal", disse, reafirmando que a hipótese de os contribuintes serem chamados a pagar a falência do BES é "remota".

Catarina Martins voltou à carga e aí o primeiro-ministro irritou-se: "Há limites!", disse, acusando a deputada bloquista de insistir "em matérias que são insultuosas". "A senhora não pode insistir que o Governo fez uma venda de favor do BPN a angolanos. Não faço favores a ninguém nem peço favores a ninguém", afirmou o primeiro-ministro, revoltado com as "insinuações soezes" de que disse ter sido alvo.

A Catarina Martins coube, pelas regras do debate, a última palavra nesta troca de argumentos: "Se o senhor primeiro-ministro não sabe o que é um favor, eu explico: o Governo vendeu o banco por 40 milhões, uns tostões em linguagem bancária, ficando com todo o crédito mal parado."

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