"Não é possível governar" o Ministério da Economia

O presidente da Câmara Municipal do Porto disse quinta-feira à noite, nesta cidade, que "o ministro da Economia começa a ser atacado e o mal não está nele, que é um senhor capaz, o mal está num Ministério que não é possível governar".

Rui Rio acrescentou que o "primeiro-ministro teve oportunidade de fazer um governo equilibrado e acabou por criar "dois ministérios, o da Agricultura e da Economia, que são praticamente ingovernáveis, nem que se ponha lá um super homem". O autarca falava minutos antes de dar uma conferência sobre o tema "Política e Economia: ideias para enfrentar a crise", integrada no projecto "Porto de Desafios", do Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto (ISCAP), no âmbito das comemorações dos 125 anos desta escola.

"Aquilo que eu acho é que aqueles ministérios têm de, outra vez, voltar a ser partidos em dois, para que os titulares dessas pastas possam fazer um bom trabalho, caso contrário aquilo não é gerível", continuou, na sequência de uma pergunta sobre as consequências da anunciada fusão das transportadoras públicas de Lisboa e do Porto. Rui Rio respondeu que a Junta Metropolitana do Porto, de que é o presidente, "pediu uma audiência o ministro da Economia", Álvaro Santos Pereira.

Por sua iniciativa, falou depois sobre a dimensão atual tanto do Ministério da Economia, que agora tutela ainda o Emprego e as Obras Públicas e os Transportes, como do da Agricultura, que gere também o Ambiente e o Ordenamento do Território. O autarca portuense aconselha o Governo a "fazer rapidamente aquilo que sempre devia ter feito", não olhando, por isso ao número de ministros, "porque isso não interessa para nada".

"O que é importante é ter um número de ministros e as pastas adequadas ao que são as necessidades do país", porque, "de certa forma até injustamente, está-se a atacar o senhor (ministro da Economia) quando é impossível a tarefa que lhe é pedida e esta é a questão de fundo", continuou. Rui Rio explicou que "não disse nada de início" sobre a opção do primeiro-ministro, Passos Coelho, por um Governo com menos ministérios que o anterior, porque isso podia ser visto como "uma crítica antes do tempo".

"Mas agora deve dizer-se: por favor altere-se esta orgânica de governo, porque há particularmente dois ministérios que são praticamente ingeríveis", insistiu. Em sua opinião, "o país pode sofrer indevidamente as consequências de se dizer que queremos ter poucos ministros". "Tem que ter aqueles que são precisos, é o que me ensina a minha experiência política", reforçou, caso contrário "vai-se queimar as pessoas (os ministros) em lume brando porque são tarefas impossíveis".

Rio não adiantou áreas em que o Ministério da Economia estará a falhar, mas referiu que, "depois da transformação que houve, a administração da Caixa Geral de Depósitos é do tamanho do conselho de ministros". O autarca prometeu, por outro lado, dar "uma opinião melhor" sobre a proposta de Orçamento de Estado para 2012 "daqui por uns dias", quando tiver mais informação" e porque "agora está muita gente a falar" e quando isso sucede "não se ouve ninguém".

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