"Não é com os mercados que as pessoas se preocupam"

O dirigente centrista diz que é nos problemas do dia-a-dia que está a atenção dos portugueses.

O país não conseguiu regressar aos "mercados" financeiros no dia 22, facto que o líder da oposição classificou de "dia negro", mas a resposta do CDS-PP foi levar a campanha ao mercado de Vila Real, para demonstrar que essa "é que é a base da economia portuguesa" que interessa às pessoas. "Nós temos de perceber que os mercados não podem ser uma abstração" e é "ter a noção de que se tem que priorizar a economia nacional", afirmou o dirigente centrista. João Almeida salienta que "as pessoas no seu dia a dia estão a viver com muita dificuldade e muito esforço, com o ajustamento que Portugal está a fazer. E vir a estes mercados onde estão, como aqui em Vila Real, tantos produtores que continuam na sua atividade agrícola para vender os seus produtos, para comprar e fazer o seu abastecimento" mostra que esta é a "a base da economia portuguesa". Sem isso "não há mercados financeiros externos nenhuns que nos valham" e "não conseguirmos recuperar a nossa economia".

Para o CDS a crítica da oposição "principalmente vinda do PS, que tem a responsabilidade de estarmos sob resgate é absolutamente desenquadrada da realidade". O que "as pessoas querem saber", assinalou, "é se no seu dia-a-dia há condições para recuperar, pelo menos, uma parte importante daquilo que era a sua vida antes do PS nos ter conduzido a esta situação de dificuldade". Isso "vale tanto para quem produz, como para quem compra e, naturalmente para muitos dos que ficaram sem emprego, para muitos dos que sofreram cortes e que, neste momento, aos poucos, vão recuperando".

Não querendo "desvalorizar" a importância para a economia do regresso aos mercados financeiros, para "recuperar o nosso caminho", o vice-presidente da bancada centrista entende que "ninguém poderá dizer que estamos neste momento mais longe de o fazer que estávamos quando o partido socialista governava. Nessa altura fomos excluídos. Neste momento estamos mais perto".

Sobre a possibilidade de haver um segundo resgate, que tem sido um dos pontos de controvérsia entre Pedro Passos Coelho e António José Seguro, João Almeida ironizou: "aqui neste mercado ninguém falou nisso". Realça que "a pessoas têm outro tipo de preocupações", sublinhando que "é por isso que nós temos dito que a campanha autárquica é uma campanha concelho a concelho. As preocupações das pessoas, aqui em relação aos vendedores, por exemplo, são com as condições, se podem ter uma banca um bocadinho melhor, se podem ter um ponto de água, ou o caso de pessoas que concorreram à habitação social e não percebem os critérios da câmara, porque os impostos municipais também são especialmente pesados, ou porque há falta de uma luz na sua rua e isso cria um sentimento de insegurança. É disso que as pessoas falam. Não é sobre segundos resgates nem sobre mercados financeiros.".

Para o porta-voz do CDS-PP "aqueles partidos que acham que, por um lado, estas eleições são para penalizar governos ou que, por outro lado, acham que estas eleições são para dar força a determinados caminhos, estão muito enganados. Estas eleições são para resolver os problemas concretos das pessoas, com proximidade que é aquilo que de mais nobre tem a política". É "esse o motivo", esclarece, "que optamos por fazer esta campanha de proximidade, num contacto muito direto, sujeitando-nos a ouvir o que as pessoas têm para dizer, constatando que as pessoas sabem muito bem distinguir eleições nacionais das locais e que aquilo que pedem é, essencialmente, a resolução de problemas concretos".

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