"Não devíamos desistir de conseguir incluir o português entre as línguas oficiais das Nações Unidas"

Com um "sentido certo de urgência", Jorge Sampaio defendeu que deveria haver um maior investimento na internacionalização do idioma.

Jorge Sampaio defendeu esta quarta-feira que deveria haver um maior investimento na internacionalização do idioma e que o português "tem de ocupar um lugar central" na educação escolar. "A afirmação da língua portuguesa é uma missão necessária e vital para nós e para as gerações que nos sucederão. Nessa missão, a aprendizagem, o ensino, o uso, a renovação e a projeção da língua são fundamentais. Há pois que investir mais na internacionalização da língua portuguesa, como língua da diplomacia, da cooperação e da comunicação global. Não devíamos desistir de conseguir incluir o português entre as línguas oficiais das Nações Unidas", afirmou na conferência "Português: Língua de Oportunidades - O Futuro da Língua Portuguesa Discutido em Bom Português", organizada pelo DN.

O antigo presidente da República recordou os contactos que tem mantido "pelo mundo fora com cidadãos portugueses e estrangeiros" para salientar que "é preciso realizar um grande esforço para que a língua portuguesa seja efetivamente considerada como opção integrada no currículo de um número cada vez maior de países".

"É necessário que os vários departamentos governamentais que têm a seu cargo as ligações de Portugal ao mundo, bem como os seus congéneres dos países da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa] e o próprio secretariado da CPLP trabalhem para que o português apareça como uma língua de prestígio, de várias culturas, de ciência, de investigação, de negócios", argumentou.

Jorge Sampaio sustentou ainda que a "língua portuguesa tem de ocupar um lugar central no conjunto de conhecimentos e competências que todos devem adquirir na sua educação." "Mais do que qualquer outra instituição, a escola tem o dever de promover o acesso ao uso apropriado da língua", acrescentou, sublinhando que o "domínio da língua falada e escrita é condição necessária para a realização de cada pessoa e para a sua afirmação nos planos pessoal, profissional e cívico". "Ensinar a usar bem a língua deve ser uma tarefa da sociedade em geral, das famílias e da escola", frisou.

"Não temos tempo a perder", sublinhou, rematando uma intervenção em que citou parte de de um discurso que proferira, em 2004, numa conferência que promovera então sobre "A Língua Portuguesa: presente e futuro". "Para mim, continua a ser claríssimo que a língua é, para Portugal e para os portugueses, um grande desígnio nacional, que merece ser assumido plenamente pelo Estado e pela sociedade", explicou.

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