Montenegro : "Estamos com um governo há sete anos que é incapaz de resolver esse problema"

Luís Montenegro afirma que não foi contactado para qualquer reunião visando debater o futuro aeroporto do país e que o partido está muito sereno "relativamente àquilo que o país precisa do ponto de vista estratégico".

O líder do PSD disse esta segunda-feira que não foi contactado pelo Governo para abordar o futuro aeroporto de Lisboa e que tal não tem de ocorrer com pressa, garantindo que o partido quer falar a uma só voz.

"Dentro do PSD não é como dentro do Governo. Nós queremos falar todos a uma só voz. Queremos articular posições, queremos coordenar posições e, portanto, eu tenho de falar com os meus companheiros de partido, com aqueles que me acompanham nos órgãos nacionais e depois, atempadamente, falaremos também com o Governo", afirmou aos jornalistas Luís Montenegro, em Pedrógão Grande, distrito de Leiria, a sua primeira deslocação enquanto presidente do partido em exercício de funções.

Adiantando que não foi contactado para qualquer reunião visando debater o futuro aeroporto do país, o dirigente do PSD explicou que "não ocorreu, nem tem de ocorrer com essa pressa".

"Estamos com um governo há sete anos que é incapaz de resolver esse problema. Não vamos criar a expectativa que ele se vai resolver em sete dias", declarou.

Afirmando que o partido está muito sereno "relativamente àquilo que o país precisa do ponto de vista estratégico", Luís Montenegro esclareceu que o PSD está a instalar os órgãos nacionais que foram eleitos no domingo, no 40.º Congresso do PSD.

"E como tive ocasião de dizer no Congresso Nacional do PSD, transmitiremos ao Governo em primeira mão a nossa posição, e também a metodologia e os requisitos que poderemos vir a reputar como fundamentais, essenciais mesmo, para que possa haver um processo de diálogo", explicou.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro António Costa determinou a revogação do despacho que aponta os concelhos do Montijo e Alcochete, como localizações para a nova solução aeroportuária da região de Lisboa, desautorizando o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, que no dia anterior apresentou esta proposta.

A solução apontada passa por avançar com o projeto de um novo aeroporto no Montijo complementar ao Aeroporto Humberto Delgado, para estar operacional no final de 2026, sendo os dois para encerrar quando o aeroporto no Campo de Tiro Alcochete estiver concluído, previsivelmente em 2035.

Quanto à regionalização, questionado com o facto de o anúncio de não apoiar um referendo à regionalização em 2024 ter apanhado de surpresa alguns autarcas e se vai manter a mesma posição, Montenegro respondeu: "Não está à espera de que eu vá dizer na segunda-feira uma coisa diferente do que disse no domingo".

"Defendemos que é completamente inoportuno fazer o referendo nesta legislatura. Se o Governo entender fazê-lo, fará. Mas numa altura em que o Governo tem um processo de descentralização em curso que não agrada a ninguém, o Governo não consegue descentralizar competências para os municípios e para as associações [comunidades] intermunicipais que seriam as mais simples de descentralizar, acha que tem credibilidade para dizer ao país que consegue fazer um processo de descentralização através da criação de regiões administrativas se nem naquilo que é quase básico consegue fazer?", perguntou.

Montenegro considera que Portugal tem problema de coesão territorial muito acentuado

O presidente do PSD, Luís Montenegro, considerou esta segunda-feira que o país tem um problema de coesão territorial muito acentuado e prometeu colocar na agenda política esta matéria, para "amenizar desigualdades".

"Temos um problema de coesão territorial muito acentuado no país e é minha intenção, na nossa agenda política, privilegiar e contribuir para que se possam amenizar estas desigualdades que no território existem entre o interior e litoral", disse Luís Montenegro.

O líder do PSD esteve esta segunda-feira em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, a sua primeira deslocação enquanto presidente do partido em exercício de funções, o concelho mais fortemente atingido pelos incêndios de junho de 2017, que provocaram 66 mortos.

Luís Montenegro salientou que a deslocação não "foi para contactar uma tragédia", mas "uma realidade que se vive em muitos territórios, muitas localidades, muitos concelhos deste país, que são territórios de baixa densidade, que se confrontam todos os dias com desafios enormes para poderem fixar pessoas, para poderem atrair investimento, para poderem ter as mesmas condições para aceder àquilo que é essencial na vida de uma pessoa que têm aqueles que vivem nos centros urbanos do litoral".

Defendendo que o Governo deve discriminar positivamente os territórios de baixa densidade, o social-democrata apontou a necessidade de lhes conferir condições para que "possam ser mais atrativos para o investimento", com regimes fiscais para atrair investidores, "para terem atividades económicas, para terem capacidade de criar riqueza, para terem oportunidades de emprego".

"Se não houver criação de riqueza, nem emprego, não há gente, as pessoas têm de ir à procura da sua oportunidade para outros territórios. E havendo gente depois, é preciso naturalmente dar condições de vida às pessoas", adiantou, exemplificando com serviços de saúde, escolas, creches ou equipamentos culturais e desportivos.

Para Luís Montenegro, "o plano de harmonização territorial" que o partido preconiza passa por colocar na agenda a "coesão territorial, a criação de estatuto dos territórios de baixa densidade", causa que não é de hoje, mas de sempre.

O presidente do PSD rejeitou ainda críticas à sua deslocação a Pedrógão Grande

"Algumas pessoas, no espaço público, tiveram aquela tentação fácil de dizer que eu, no meu primeiro dia de mandato, estava aqui a querer tirar partido de uma tragédia com algum oportunismo para fazer ação política e partidária", disse, destacando que a visita visou "tratar de assuntos importantes que têm a ver com a vida das pessoas" e do funcionamento das autarquias e das corporações de bombeiros, e que "têm a ver com o escrutínio a ação do Governo".

A esses críticos, Montenegro deixou ainda um aviso: "Aqueles que acham que isso é uma atitude oportunista, habituem-se porque isto é só o primeiro dia, mas vai acontecer muito mais vezes".

Em Pedrógão Grande, Luís Montenegro reuniu-se com autarcas, Liga dos Bombeiros Portugueses e Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande, tendo desta recebido um documento com a missão e com os pontos-chave para o desenvolvimento do território.

Os incêndios que deflagraram em junho de 2017 em Pedrógão Grande e que alastraram a concelhos vizinhos, sobretudo Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, provocaram a morte de 66 pessoas, além de ferimentos a 253 populares, sete dos quais graves. Os fogos destruíram cerca de meio milhar de casas e 50 empresas.

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