Ministro da Economia dá garantias na Alemanha pouco antes da demissão de Portas

O ministro da Economia assegurou hoje, perante a sua homóloga germânica, que Portugal manterá a consolidação orçamental e as reformas estruturais - declaração feita minutos antes de se conhecer a demissão de Paulo Portas do Governo.

Álvaro Santos Pereira falava aos jornalistas numa conferência de imprensa com a ministra do Trabalho alemã, Úrsula Von der Leyen, após terem assinado um acordo de cooperação entre os dois países para incentivar a mobilidade e o intercâmbio de jovens ao nível do emprego, dos estágios profissionais e da formação profissional.

Ainda quando se desconhecia o "caso" com Paulo Portas, Álvaro Santos Pereira foi interrogado sobre as consequências internas e externas da demissão de Vítor Gaspar do cargo de ministro de Estado e das Finanças.

O ministro da Economia não comentou as razões subjacentes ao pedido de demissão de Vítor Gaspar, mas frisou que a linha de rumo se manterá, sustentando, para o efeito, que a credibilidade externa de Portugal se baseia em três pilares da política do Governo.

"O primeiro é o da consolidação orçamental e o da estratégia para reduzir a dívida o mais rapidamente possível; o segundo é o das reformas estruturais, que em Portugal é mais abrangente do que na maioria dos países europeus (desde a justiça, passando pela concorrência, até ao corte de rendas excessivas); e o terceiro é o da concertação social", identificou Álvaro Santos Pereira.

Na mesma linha de otimismo sobre o futuro de Portugal, a ministra alemã do Trabalho - considerada como sendo do "núcleo duro" da chanceler Ângela Merkel - recusou-se a comentar "a questão interna" da política portuguesa resultante da saída de Gaspar, mas manifestou-se confiante que o país manterá a sua linha de rumo.

"Sabemos que Portugal está a passar um tempo muito difícil, mas a Alemanha teve os mesmos problemas há cerca de 10 anos atrás. Por isso, também sabemos que as reformas estruturais levam muito tempo a produzir resultados", afirmou a ministra do Trabalho alemã.

Terminada a conferência de imprensa, caiu a informação sobre o pedido de demissão do Governo no ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, também presidente do CDS, partido parceiro da coligação governamental.

Quando os jornalistas procuraram de novo abordar Álvaro Santos Pereira, já o ministro da Economia tinha abandonado o Ministério Federal do Trabalho e dos Assuntos Sociais da Alemanha.

Conhecida mais uma questão interna no Governo português, elementos do Ministério do Trabalho alemão, que na quarta-feira são os principais promotores da conferência europeia sobre emprego jovem, quiseram apurar (sem sucesso) junto de alguns jornalistas portugueses se o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, mantém a sua presença nesta iniciativa em Berlim.

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