Ministra quer envolver PS na estratégia orçamental

A ministra das Finanças disse hoje, em Bruxelas, que o Governo "gostaria muito" de envolver o PS na elaboração do Documento de Estratégia Orçamental (DEO), e disse acreditar em "pontos de entendimento", como já houve noutras matérias.

À saída de um seminário organizado pela OCDE no qual participou como oradora, Maria Luís Albuquerque, questionada por jornalistas portugueses sobre o teor de uma das suas intervenções, a reclamar um compromisso político mais amplo, envolvendo o principal partido da oposição, indicou que o mesmo deve existir em torno de questões europeias, mas também de estratégia orçamental.

Esse entendimento, disse, deve ser ao nível "das metas orçamentais" e outras com que Portugal se comprometeu perante os seus parceiros, mas também ao nível de "compromissos em termos europeus" que o Governo partilha "claramente" com o PS: "Somos membros da área do euro e temos a mesma visão de nos mantermos na área do euro e na União Europeia", realçou.

Por outro lado, sustentou, seria aconselhável um "certo tipo de entendimento" com os socialistas em torno do DEO, "que vai delinear as principais linhas da questão orçamental, da disciplina orçamental para os próximos anos", reiterando, assim, um apelo já deixado pelo próprio primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

"É um ponto em que gostaríamos muito de envolver o PS, vamos envolver o PS, e gostaríamos muito de ter algum tipo de entendimento, para dar estabilidade, independentemente do resultado das próximas eleições, que irão decorrer certamente num ambiente democrático".

Questionado sobre o cenário em caso de recusa do PS em entrar num entendimento, Maria Luís Albuquerque limitou-se a dizer que o Governo tem a "expectativa de que haja pontos de consenso e pontos de entendimento, como, aliás, já houve em outras matérias".

Comentando uma outra intervenção que teve durante o debate, quando defendeu que a disciplina orçamental em Portugal terá de prosseguir ao longo dos próximos anos, mesmo após a conclusão do programa de assistência, Maria Luís Albuquerque sublinhou que tal é necessário, para corrigir os muitos desequilíbrios acumulados, também ao nível da dívida e do défice.

"A disciplina orçamental tem que continuar. Mas ela não é incompatível com o crescimento, como os últimos dados revelam. Não é uma questão de escolher entre crescimento ou disciplina orçamental; é ter disciplina orçamental para poder ter crescimento", afirmou.

Depois de participar no seminário da OCDE, Maria Luís Albuquerque participará, à tarde, numa reunião de ministros das Finanças da zona euro, que se celebra a precisamente três meses do fim do programa de assistência a Portugal (17 de maio), mas a estratégia de saída do programa e regresso aos mercados ainda não fará parte da agenda deste Eurogrupo.

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