Ministra da Justiça: "Não aceito sequer que o Estado me pague o telemóvel"

Paula Teixeira da Cruz admitiu que foi feito um "pedido mal" aos serviços para avaliarem medidas do programa eleitoral do PS, mas recusou ser acusada de usar a Administração Pública.

A ministra da Justiça reconheceu que tinha agido "mal" ao pedir aos diretores-gerais do seu ministério que identificassem, no programa eleitoral do PS, as medidas que o Governo já tinha executado ou estava em vias de o fazer, uma notícia hoje avançada pelo Diário de Notícias. Paula Teixeira da Cruz justificou esta solicitação, através de um e-mail enviado do seu gabinete no passado dia 19, pelo facto de ter constatado "algumas medidas semelhantes ou mesmo iguais" às do Governo e que, por isso, tinha pedido aos serviços para confirmar.

Confrontada pelo deputado socialista Jorge Lacão, que coordenou o programa eleitoral socialista para esta área, que exigiu explicações e um "pedido de desculpa" pela "instrumentalização de dirigentes públicos para fins políticos e partidários", a ministra refutou julgamentos de "caráter". "Se não aceito sequer que o Estado me pague o telemóvel, nunca poderia aceitar uma coisa dessas", salientou.

Lacão destacou depois o reconhecimento do "erro" de Paula Teixeira da Cruz, mas não deixou de assinalar, mais uma vez que "se isto não é instrumentalização da Administração Pública (AP), revela a uma perfeita insconsciência do que é lidar de forma isenta com a AP".

A bancada do PSD protestou por os socialistas estarem a desviar o assunto da ordem do dia - a discussão do estatuto da vítima -, com o deputado Carlos Abreu Amorim a tentar mesmo negar a veracidade das afirmações que a ministra tinha assumido minutos antes.

António Filipe, do PCP, deu razão ao protesto do PS, salientando que "para monitorizar as propostas dos partidos da oposição, para isso há os gabinetes de estudos dos partidos" e que "não faz sentido que os dirigentes da AP sejam desviados das suas funções".

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