Ministério Público arquiva caso do currículo falseado de Feliciano Barreiras Duarte

O Ministério Público arquivou o caso em que Feliciano Barreiras Duarte era suspeito de ter falsificado o seu currículo, depois de concluir que o antigo deputado e ex-secretário-geral do PSD não cometeu nenhuma ilegalidade.

O despacho do Ministério Público (MP), que o DN teve acesso, conclui que após investigação, ouvidas várias testemunhas e analisada vasta documentação, foi decidido arquivar os autos, tendo concluído que Feliciano Barreiras Duarte não falsificou o currículo nem documentos.

Feliciano Barreiras Duarte afirma que "como sempre disse, não cometi qualquer crime, nem falsifiquei documentos ou o meu currículo, como agora conclui o Ministério Público, após dois anos de investigação. Acreditei na Justiça e tinha motivos para isso, pois fez-se justiça. Mas nada apaga o facto de o meu nome ter sido arrastado na lama de forma apressada e torpe, com penosas consequências para mim e para a minha família. Julgo que este caso, que nunca foi caso, como agora se confirma, deve ser pretexto de séria reflexão para todos os agentes políticos, jornalistas e comentadores".

A Procuradoria-Geral da República abriu um inquérito, em março de 2018, ao caso que envolvia Feliciano Barreiras Duarte, então secretário-geral do PSD, sob a liderança de Rui Rio, depois do social-democrata ter sido acusado publicamente de ter forjado documentos oficiais, depois do semanário Sol ter noticiado que Barreiras Duarte tinha notas biográficas no seu currículo que o davam como investigador convidado na Universidade de Berkeley, o que não seria verdade. E que com isso teria sido beneficiado na concessão do estatuto de doutoramento na Universidade Autónoma de Lisboa.

"Nada apaga o facto de o meu nome ter sido arrastado na lama de forma apressada e torpe, com penosas consequências para mim e para a minha família. Julgo que este caso, que nunca foi caso, como agora se confirma, deve ser pretexto de séria reflexão para todos os agentes políticos, jornalistas e comentadores"

Após a polémica, o então secretário-geral do PSD Feliciano Barreiras Duarte retificou o seu currículo académico para retirar o item que o indicava como investigador convidado na Universidade de Berkeley, na Califórnia, EUA. E resistiu a demitir-se do cargo que tinha na direção do PSD, mas acabou por o fazer dias depois da polémica ter estalado. Publicamente, Rui Rio sempre desvalorizou o caso.

O despacho do Ministério Público vem agora dizer que ouvidas as testemunhas, se conclui que a professora Deolinda Adão, uma das orientadoras da tese de doutoramento de Feliciano Barreiras Duarte na UAL, terá emitido um documento que foi "entendido pelo arguido em face do modo como está redigido, como confirmativo da qualidade de visiting scholar em Berkeley apesar de tal não corresponder à realidade".

Refere-se ainda que essa qualidade de visiting scholar "não foi determinante na concessão do estatuto de doutoramento na UAL". Pelo que o MP decidiu arquivar o processo.

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