Militares "sem vocação" devem "mudar de carreira"

O ministro José Pedro Aguiar-Branco criticou esta quarta-feira as associações de militares que procuram "fazer contraponto às políticas" definidas pelo Governo e afirmou que os efetivos sem vocação para estar nas fileiras "estão no sítio errado".

"Forças Armadas com militares sem vocação são Forças Armadas que não funcionam nem são capazes de cumprir os objetivos", afirmou Aguiar-Branco, num almoço organizado pela revista Segurança e Defesa em Lisboa.

"Se não sentem vocação, estão no sítio errado. Se não sentem, antes de protestar precisam de mudar de carreira. Sem drama, sem ressentimento (...). Deixem o que é militar aos militares, o que é das associações às associações, o que é da política à política", sublinhou o governante.

Na base da dura crítica de Aguiar-Branco às associações socio-profissionais de militares estão declarações feitas no fim-de-semana pelo presidente da Associação Nacional de Sargentos (ANS), Lima Coelho, em que se pronunciou sobre o fim do feriado do 5 de outubro ou os salários na Função Pública.

Lima Coelho, ouvido pelo DN, rejeitou as críticas do ministro - "nem as reconheço" - e garantiu que o protesto marcado para 16 de fevereiro não tem qualquer relação com o fim do feriado do 5 de outubro (como foi noticiado).

Para o líder da ANS, as afirmações de Aguiar-Branco são "um aproveitamento" das suas afirmações por "quem está a querer manipular a opinião pública, dando uma ideia completamente errada do que foi dito".

Lima Coelho confirmou ter comentado o fim do referido feriado, no contexto das perguntas que lhe foram feitas sobre as comemorações do 31 de janeiro - uma data "percursora do 5 de outubro". Mas foi "uma opinião nossa" e "não há protesto contra o fim do 5 de outubro", insistiu o presidente da ANS.

Segundo Aguiar-Branco, "banalizar o protesto militar desprestigia" as Forças Armadas e "utilizar o protesto militar como forma de intervenção pública, política e partidária é grave. E compreendo a insatisfação dos (...) que servem nas Forças Armadas quando alguém fala em seu nome para dar opiniões partidárias sobre a extinção de um feriado ou as condições salariais na Função Pública", concluiu o governante, no almoço da revista Segurança e Defesa.

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