Militares no Parlamento contra cortes e humilhação

"Quero o salário de volta já", "Pela soberania nacional", "Dignificação da condição militar" e "humilhação não" eram algumas das frases que se podiam ler nas faixas exibidas pelos militares que hoje marcharam em silêncio até à Assembleia da República.

Milhares de militares das Forças Armadas protestam, hoje à tarde, contra o corte de rendimentos e pensões e desfilaram entre o Largo de Camões e a Assembleia da República, de onde já estão a dispersar, numa marcha lenta e quase silenciosa em que foram exibidas bandeiras pretas e algumas faixas.

Ao chegar ao Parlamento, cerca das 17h00, os militares entoaram o hino nacional e a música de José Afonso, "Grândola Vila Morena".

Algumas dezenas de elementos das Equipas de Intervenção Rápida da PSP fizeram a segurança ao parlamento, dispersos pelas escadarias e jardins. Ao fundo das escadarias estavam colocadas barreiras de proteção.

Em nome do filho militar que "não pode dar a cara", Luís Franco disse à agência Lusa que participou na manifestação para chamar a atenção que os corte nos rendimentos e a austeridade estão a atingir as famílias de uma forma muito preocupante, dando como exemplo o adiamento do casamento do filho.

Um sargento-ajudante da Força Aérea José Pereira disse também à Lusa que os vencimentos estão neste momento equiparados a 2002, o que representa uma perda anual de 10 a 12 mil euros, segundo as contas que fez.

A "degradação da assistência à doença e na ação social" foram outros motivos evocados pelos militares para participarem no protesto.

Os militares desfilaram praticamente em silêncio que só foi quebrado pelas alunas do Instituto de Odivelas que entoaram palavras de ordem e canções em protesto contra o anunciado encerramento da instituição.

Presente no Largo Camões no início do protesto, o deputado do PCP e vice-presidente da Assembleia da República António Filipe disse à agência Lusa que quis "manifestar compreensão e solidariedade" para com os militares que "não só têm sofrido os cortes aplicados a todos os servidores do Estado" como também têm sofrido "medidas de desestruturação da condição militar".

"Não apenas do ponto de vista económico e social, os militares têm sido afetados, como a instituição militar no seu conjunto tem sido afetada por esta política", criticou António Filipe.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG