Menos de 100 manifestantes no CCB após saída da chanceler

Pouco depois da saída de Angela Merkel do CCB, menos de uma centena de manifestantes resistia no local onde decorreu o protesto contra a visita da chanceler alemã. Horas antes, cerca das 15:30, os ânimos tinham ficado mais exaltados com os manifestantes a derrubarem as grades da barreira de segurança e a queimarem um espantalho de Angela Merkel.

Durante a tarde, tirando duas tentativas de furar o cordão policial, os manifestantes mantiveram-se a muitos metros de distância da entrada no CCB.

Na última hora, o protesto foi diminuindo de intensidade, com algumas pessoas a desmobilizar e outras as atenções focadas numa fogueira com sacos de lixo cheios de folhas incendiados pelos manifestantes.

A polícia diminuiu o contingente policial, que impede a passagem dos manifestantes para o perímetro definido em torno do CCB, restando apenas alguns das equipas de intervenção rápida.

O protesto começou com um desfile entre o Largo do Calvário e a Praça do Império, com concentração junto ao Centro Cultura de Belém, espaço onde decorreu o encontro empresarial luso-alemão e no qual participou a Chanceler alemã.

Cerca de três dezenas de manifestantes aguardava pelas 12:00 a chegada de Angela Merkel ao Palácio de Belém, mas o dispositivo policial no local superava largamente o seu número, com centenas de agentes presentes.

Todo o espaço nas redondezas na residência oficial do Presidente da República foi vedado com grades e desde o Mosteiro dos Jerónimo até ao palácio há um agente da PSP de cinco em cinco metros, de ambos os lados da rua de Belém.

Frente ao edifício do Museu dos Coches e em outros pontos perto do Palácio de Belém há ainda carrinhas de elementos do Corpo de Intervenção da PSP.

Os manifestantes terão pouca ou nenhuma hipótese de chegar a ver a chanceler alemã, mas isso não demoveu Anabela Faustino, reformada, que não veio "para ver, mas para protestar".

Atrás das grades colocadas no jardim em frente ao Palácio, disse à agência Lusa que pretendeu "juntar-se às outras pessoas contra a política de austeridade que estão a impor aos cidadãos portugueses".

"Sinto-me revoltada e mais quando penso quanto não estarão a gastar nesta visita quando tantas pessoas não têm nada", defendeu, frisando que "a Merkel" é uma das principais responsáveis pela situação.

Anabela Fustino lembrou que até a diretora do FMI, Christine Lagarde, "já está a ver que a política que estão a impor não está a dar o resultado que pretendiam".

Quanto a Angela Merkel, "diz que o Estado [português] está a fazer tudo o que precisa, mas nunca fala no povo".

"Hoje o povo está aqui, amanhã não sabemos onmde vamos estar ou o que vamos estar a fazer, especialmente os mais novos", lamentou Anabela Faustino.

Alcides Santos, do Movimento Sem Emprego, é claro na mensagem que gostaria de transmitir a Angela Merkel: "não queremos ser colónia".

"É que isso já está a acontecer, já não podemos produzir o que queremos, nem para a nossa alimentação", referiu.

Na sua opinião, Merkel devia "olhar para a História" e perceber que "na altura da unificação da Alemanha também precisaram do apoio da Europa".

Alcides Santos lembrou também que no fim da II Guerra Mundial "a Alemanha só se conseguiu desenvolver porque o resto da Europa lhe foi perdoando a dívida que tinha", no entanto, "agora não quer fazer o mesmo a Portugal nem à Grécia, e nós não começamos nenhuma guerra nem andamos a matar ninguém".

No perímetro em volta do Palácio de Belém só podem estar agentes da polícia, jornalistas e manifestantes só podem estar à distância.

Angela Merkel reuniu-se com Cavaco Silva às 12:30.

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