Menezes defende ser preciso "refrescar" equipa governativa

O ex-líder do PSD Luís Filipe Menezes afirmou hoje que o país precisa de "corrigir a linha de rumo", defendendo uma remodelação da equipa governativa e uma correção das medidas mais polémicas, como a Taxa Social Única (TSU).

O autarca de Gaia afirmou aos jornalistas que o PSD tem que mostrar que é capaz de "corrigir a linha de rumo", o que significa "refrescar a equipa governativa em algumas áreas fundamentais (...) reforçar a comunicação e informação dos cidadãos e, por ventura, somar algumas medidas de caráter social", bem como, "em algumas medidas mais polémicas, no mínimo, debatê-las com os parceiros fundamentais para ver em conjunto, em diálogo, em concertação, se há alternativas".

Falando na sessão de inauguração de uma creche municipal em Gaia, no seu discurso Menezes disse mesmo que o "Governo tem que ter a humildade de dar um passo atrás" relativamente à TSU.

Afirmando que os 2,8 mil milhões de euros a arrecadar com as alterações anunciadas para a TSU são "importantes para a consolidação orçamental", Menezes referiu, contudo, que 10 por cento desse montante "deveria ser posto ao serviço de políticas sociais", o que permitiria à população sentir que "havia equilíbrio".

Utilizar 100 milhões de euros na resolução do problema da 1.ª infância e outro tanto na oferta de manuais escolares do 1.º ciclo foram dois exemplos de políticas sociais apontadas por Luís Filipe Menezes.

A TSU, disse, "peca por ter sido mal explicada, tecnicamente, porventura, seria possível encontrar a mesma receita indo por outra via, [porque] quando se tira com uma mão a todos tem que se dar a alguns grupos específicos com a outra mão algo de concreto".

"Em democracia, não se pode ter o povo todo descontente ao mesmo tempo e a não compreender as medidas, há um défice de comunicação, as medidas substantivas não foram suficientemente explicadas", disse, considerando que as manifestações de sábado não podem ser ignoradas.

"Seria um erro dizer que eram comunistas radicais que foram para a rua, foi o povo português que foi para a rua", disse.

Questionado sobre o alegado mal-estar do PSD e CDS-PP, Menezes afirmou que "seria muito mau confundir estas divergências com a questão de fundo", que passa por resolver os problemas do défice de Portugal.

Para Luís Filipe Menezes, "a coligação tem funcionado, no essencial, com coesão" e Paulo Portas "não é o problema do país", sendo preciso "resolver os problemas de fundo".

No seu entender, "a coligação tem que ter juízo" e "as questões substantivas e colaterais têm que ser rapidamente corrigidas".

"Não se pode pedir solidariedade ao maior partido da oposição para decisões vitais e depois a coligação dar no quotidiano um espetáculo de divisão, não pode ser", sublinhou.

A propósito da convocação de encontros da Comissão Permanente e da Comissão Política Nacional do PSD, Menezes afirmou que o partido está a "dar demasiada importância" a Paulo Portas ao decidir "fazer reuniões a pensar" no ministro do Estado e dos Negócios Estrangeiros.

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