Meia centena de manifestantes na partida de Merkel de S. Julião da Barra

Cerca de meia centena de manifestantes concentraram-se hoje, em frente ao Forte de São Julião da Barra, em Oeiras, para se despedirem da chanceler alemã, Angela Merkel, o que obrigou a um cordão policial para impedir eventuais distúrbios.

À chegada eram menos de dez pessoas, mas à saída eram já cerca de 50 os manifestantes que quiseram dar alguns recados à chanceler da Alemanha, depois de um almoço com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, no Forte de São Julião da Barra.

Gritos, assobios e palavras de ordem, controlados por um cordão de cerca de 30 polícias, marcaram a saída da comitiva, às 16:20, que segue agora para o Centro Cultural de Belém.

"Merkel, estou desempregado. Lembra o Pedro que vou emigrar", era o recado, escrito num cartaz, de Paulo Rodrigues.

"Não tenho nada contra a Merkel nem estou contra a visita dela. Estou aqui pela situação em que o nosso país está e aproveito a influência dela para avisar o nosso primeiro-ministro que vou ter de emigrar porque aqui não tenho oportunidades", afirmou à agência Lusa.

Também Dália Monteiro foi até Oeiras para protestar pela "crise do país" e não pela vinda da chanceler alemã.

"A culpa de estarmos assim é dos nossos políticos e só tenho pena que não esteja aqui mais gente a protestar", lamentou.

Com um filho emigrado "por obrigação", também Maria Seabra quis hoje protestar na presença da "senhora Merkel" e se pudesse falar com ela, dizia-lhe: "Negoceie com Portugal para nos baixarem os impostos, porque assim ninguém aguenta".

Já Pedro Brandão quer é que Angela Merkel volte para o seu país. "Hitler, go home!" (Hitler, vá para casa) é a mensagem que enverga num cartaz.

Depois de ter ido receber a chanceler alemã, de manhã, ao aeroporto de Figo Maduro, Pedro Brandão veio até a Oeiras e daqui segue para Belém.

"Hoje tirei o dia para a acompanhar e enchê-la de protestos, porque ela é uma ditadora e a culpa de estarmos assim é dela. Nós estamos a ser governados por ela e não pelos nossos políticos", sustentou.

Tal como de manhã, também ao início da tarde era forte o contingente policial a cercar o Forte de São Julião da Barra, com os agentes distribuídos em cordão ao longo de toda a extensão do forte, apoiados por cerca de uma dezena de carrinhas de intervenção e um helicóptero.

A chanceler alemã está hoje em Lisboa para uma visita oficial de cinco horas, que inclui reuniões com o Presidente da República, com o primeiro-ministro e o ministro dos Negócios Estrangeiros e com empresários dos dois países.

Esta é a primeira vez que a chefe do Governo da Alemanha visita oficialmente Portugal e a deslocação acontece num momento em que internamente cresce a contestação ao programa assinado com a 'troika', estando previstas duas manifestações anti-Merkel em Lisboa.

A visita, segundo disse Merkel numa entrevista à RTP, no domingo, é "uma contribuição" para mostrar que a Alemanha "quer ajudar" e "para ver o que se pode melhorar na cooperação entre empresas para gerar mais empregos".

Angela Merkel afirmou também não haver motivos para Portugal renegociar com a 'troika' ou pedir novo resgate, elogiando a coragem com que o Governo faz o ajustamento financeiro.

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