Medidas de austeridade não podem prejudicar Educação

O antigo Presidente da República Ramalho Eanes considerou hoje ser importante que as medidas de austeridade aplicadas em Portugal não prejudiquem a área da Educação.

O general Ramalho Eanes falava no final da cerimónia em que recebeu o doutoramento Honoris Causa da Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, por ocasião do 26.º aniversário da instituição do distrito em que nasceu, Castelo Branco.

O antigo Presidente reconheceu que, "em tempos de crise, as dificuldades estendem-se a todas as atividades públicas, nomeadamente à Educação".

No entanto, frisou ser "necessário que as medidas de austeridade não prejudiquem a coerência estratégica de desenvolvimento da Educação, para que o país tenha futuro".

O alerta é baseado na História Europeia, que, como sublinhou, mostra que a qualificação do capital humano "é indispensável para a produção de riqueza, mas também para a concretização da equidade" social.

Com um sistema educativo competente, Ramalho Eanes acredita que Portugal pode passar da atual situação de crise para outra em que seja "muito mais competitivo".

"Isso passa sobretudo pela qualificação da juventude", defendeu, considerando que "não há governo nenhum que não tenha que ter esta preocupação", embora sem fazer qualquer referência direta ao atual Executivo.

Já durante a intervenção na cerimónia oficial, o antigo Presidente da República tinha destacado a importância das universidades numa "nova era", em que cada pessoa se deve preparar para "tarefas imprevisíveis" e em que "o mesmo homem pode ter de mudar várias vezes na vida de aparelhagem mental".

Num mundo "cada vez mais globalizado e incerto", as universidades "devem contribuir para transformar o risco em oportunidades", realçou, apontando a UBI como um exemplo.

Questionado pelos jornalistas, Ramalho Eanes tratou de dissipar algum pessimismo sobre a situação do país que pudesse ser interpretado das palavras do padrinho de doutoramento, o ensaísta Eduardo Lourenço, entendendo-as antes como "um desafio".

"O futuro pode ser tenebroso se não se tomarem as medidas que se impõem, mas quem olha para a História não pode ser pessimista", destacou.

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