Mau tempo e desilusão com a política explicam abstenção

O mau tempo e a desilusão com a política e com os políticos são razões invocadas por alguns munícipes de Palmela e Sesimbra para justificarem a elevada taxa de abstenção nas eleições autárquicas de domingo nos dois concelhos do distrito de Setúbal.

Nas eleições de 29 de setembro, a maior taxa de abstenção foi registada em Sesimbra (62,2%) e em Palmela foi de 61,44%. Entre os dois, ficou o concelho de Cascais, no distrito de Lisboa, com 62,01%.

"A taxa de abstenção foi muito levada porque as pessoas já estão um bocado massacradas com a política, estão desligadas da política, estão cansadas", disse à agência Lusa Florentino Santos, munícipe e comerciante de Palmela.

"O tempo estava um bocado mau e a maior parte do pessoal, daqueles que dizem mal do Governo, não saiu de casa para mudar o voto. À direita toda a gente saiu de casa para votar", acrescentou um sexagenário reformado, residente em Palmela há mais de 40 anos.

Para o presidente eleito da Câmara de Palmela, Álvaro Amaro (CDU), a falta de expressão da vontade popular nas urnas e a opção de alguns eleitores pela abstenção a nível local "é uma desilusão", mas o autarca adiantou algumas explicações para a elevada taxa de abstenção no concelho.

"À primeira vista, o facto de termos um concelho muito extenso com 470 quilómetros quadrados, e de termos também alguns núcleos urbanos que recebem novos residentes que ainda não estarão devidamente sociabilizados. Mas creio que a abstenção se deve, sobretudo, à desilusão das pessoas com a política", disse.

Bem diferente é a posição do presidente da Câmara de Sesimbra, que atribui o aumento da abstenção no concelho ao descontentamento dos eleitores com a situação do país, mas também a obras realizadas pela autarquia e à introdução de parquímetros em diversas zonas de estacionamento.

"Eu associo essas perdas a algum descontentamento com as obras realizadas ou que ainda estão em curso no concelho e, no caso particular da freguesia de Santiago, com as decisões que tomámos no início do verão relativamente à instalação de parquímetros. Penso que as pessoas não aceitaram bem essa decisão, ou nós não a conseguimos explicar bem", admitiu.

Seja uma coisa ou outra, a verdade é que apesar da maioria absoluta renovada, há alguns munícipes sesimbrenses que não escondem o descontentamento com algumas opções da autarquia e que não votaram por isso mesmo, como é o caso de Anabela Mata, residente na Aldeia do Meco.

"A Câmara Municipal colocou-nos os esgotos e agora está-nos a pedir para pagarmos um balúrdio. Eu conheço muitas câmaras em que as pessoas pagam só trezentos e tal euros e nós estamos a pagar mil euros e depois mais mil e tal euros", disse Anabela Mata, acrescentando que também não concorda com os parquímetros no centro de Sesimbra.

Para Elisa Santos, moradora em Sesimbra, a "taxa de abstenção deve-se sempre à confiança que as pessoas têm, ou não, naqueles em quem vão votar, tanto nas autárquicas como nas legislativas".

"No caso das eleições autárquicas, onde há uma maior proximidade, a taxa de abstenção traduz, possivelmente o descontentamento das pessoas [com o poder local]", concluiu.

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