Marinha sem orçamento e pessoal para operar Siroco e manter cinco fragatas

O chefe do Estado-Maior da Marinha mostrou esta terça-feira que a compra do navio polivalente logístico francês Siroco será impossível sem abdicar de algumas das atuais unidades navais.

A Marinha "já se debate com um orçamento que está abaixo das necessidades para operação e manutenção e simultaneamente enfrenta um processo muito exigente de redução de pessoal a todos os níveis", afirmou o almirante Macieira Fragoso, num almoço organizado pela revista Segurança e Defesa.

Sabendo-se que o Siroco "terá de ser entregue até ao fim de setembro" deste ano "por imposição" do governo francês, que decidiu alienar o navio por razões financeiras, o chefe militar da Marinha adiantou que o orçamento de 2015 não prevê quaisquer verbas "para as despesas relativas à sua integração na esquadra".

A comissão parlamentar de Defesa a aprovar esta tarde a audição do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, general Pina Monteiro, e do almirante Macieira Fragoso sobre essa aquisição, com o PSD a argumentar que os dois responsáveis militares estão em melhor posição para explicarem as vantagens operacionais e estratégicas da compra do Siroco.

Essas vantagens terão à partida de ser equacionadas - pelo face às razões operacionais e estratégicas de Portugal ter cinco fragatas, quando a guarnição do Siroco exige - mais - 100 a 230 militares em permanência consoante o tipo de missões.

O PS aprovou as audições propostas pela maioria, embora o deputado Marcos Perestrello tenha dito sentir-se "estupefacto" com a iniciativa quando o governo "está a negociar [a compra de] um navio à margem da lei" e pretende que os chefes militares "venham dar esclarecimentos sobre a utilidade do navio".

O chefe militar da Marinha, numa intervenção em que disse ter conseguido aumentar a atividade operacional dos navios combatentes no segundo semestre de 2014 apesar das dificuldades orçamentais, criticou ainda o baixo investimento militar feito pelo poder político em Portugal e na Europa, que "tarda em perceber que o mundo se tornou perigoso".

"As Forças Armadas têm que ser" aprontadas para "fazer face a cenários" que incluem a imigração ilegal, o terrorismo e a pirataria - ameaças à segurança que são combatidas pelas forças e serviços de segurança, com o eventual apoio dos militares em caso de necessidade, como se tem visto em França, Espanha, Bélgica ou EUA.

Macieira Fragoso referiu ainda que a Marinha, "apesar das dificuldades", consegue manter um dispositivo naval "para garantir a patrulha e fiscalização" das águas sob soberania e jurisdição portuguesas - sendo que a fiscalização é uma competência das autoridades civis, utilizando os meios das Forças Armadas quando necessário.

A terminar, o chefe do Estado-Maior da Marinha deixou um alerta: "Importa que as opiniões públicas sejam devidamente esclarecidas para que o investimento na defesa possa ser aumentado."

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG