Marcelo e o não cumprimento de Cavaco: "Só me ocupo do que é fundamental"

Presidente da República não quis comentar o facto de o seu antecessor não ter cumprimento durante a cerimónia da tomada de posse

Questionado sobre a polémica do dia da tomada de posse como Presidente da República, o facto de Aníbal Cavaco Silva não o ter cumprimentado, Marcelo Rebelo de Sousa não quis fazer comentários. "Neste dia só me ocupo do que é fundamental: vencer a pandemia, reconstruir Portugal e afirmar o papel de Portugal no mundo", afirmou aos jornalistas na cidade do Porto.

A iniciar o segundo mandato em Belém, o chefe de Estado defendeu por várias vezes as virtudes da democracia, mesmo em pandemia. "Há sociedades que estão a combater a pandemia em ditadura. Nós estamos em democracia. A democracia tem uma riqueza humana que a ditadura não tem", começou por dizer.

"Há 48 anos que não há o risco de não haver democracia. Quem está no poder jura fidelidade à democracia. Portugueses gostam da democracia, apesar de a democracia não ser perfeita. Mesmo a democracia mais imperfeita é melhor do que a ditadura considerada mais perfeita", acrescentou, pouco depois.

"Apesar das divergências que existem na Assembleia da República, existe uma unidade inevitável. Este espírito tem que presidir à reconstrução nacional. O que não quer dizer que não haja alternativas quanto à governação", sublinhou.

Marcelo apela ao progresso e às reformas que tornem Portugal melhor e mais estável e diz que a "pandemia é um desafio difícil para os próximos meses e a reconstrução é um desafio para os próximos anos".

Sobre a descentralização, diz que esse processo "vai mais ou menos longe consoante a vontade dos portugueses, na Assembleia da República ou através de referendo".

Na chegada ao norte do país, o Presidente da República cruzou-se com trabalhadores da Groundforce, tendo-lhes dito que o Governo está a fazer os possíveis para resolver a difícil situação económica da empresa: "O Governo compreende a vossa situação pessoal e familiar. Todo o país está em crise, mas no vosso caso a situação é penosa e complicada. Eu sou testemunha que se tem atuado. Vamos sabendo coisas que não se sabiam. Obriga a reajustar os planos em função do que se vai sabendo."

Em visita ao Centro Islâmico do Porto, Marcelo reiterou que é "o Presidente de todos os portugueses e de todos os que vivem em Portugal", apesar de terem outras nacionalidades. "Não temos uma origem, temos inúmeras origens: somos oriundos dos gregos, dos latinos, dos árabes e dos africanos. É essa a nossa identidade. Não há portugueses de segunda nem de terceira, tenhamos essas origens mais longínquas ou mais próximas na nossa linhagem familiar", frisou.

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