Marcelo e Costa mantêm confinamento geral sem alterações

Com a exceção do PS, todos os partidos pedem ao Governo um plano de desconfinamento gradual. Mas para já nada muda. Escolas continuam fechadas. Esta quarta-feira será conhecido o novo decreto do estado de emergência

Esta quarta-feira à noite, terminada mais uma ronda de audiências aos partidos parlamentares, o Presidente da República (PR) enviará ao Parlamento mais um decreto renovando por mais duas semanas o estado de emergência. O debate na Assembleia da República (AR) será quinta-feira, esperando-se nova aprovação, pelo menos com os votos a favor do PS, PSD e PAN.

Com os números da pandemia a regressarem aos valores anteriores à vaga que se iniciou após o Natal, vão-se multiplicando as vozes no espaço público pedindo que o desconfinamento comece, nomeadamente com o regresso do ensino presencial no pré-escolar e no 1º ciclo do ensino básico. Também há quem, com o deputado do Chega André Ventura, fale na reabertura já do "comércio mais pequeno", designadamente cafés, restaurantes e cabeleireiros.

Ontem o Presidente começou a receber os partidos com assento parlamentar e terá dito nessas audiências - por vídeo conferência e à "porta fechada" - fez saber que tenciona hoje renovar o decreto do estado de emergência de há 15 dias sem lhe introduzir qualquer alteração.

Sendo assim, isso poderá significar que o Presidente da República voltará a pedir ao Governo que prepare um plano de reabertura gradual das escolas - uma exigência que António Costa ignorou há quinze dias. Também é possível que Marcelo volte a insistir com o Governo para que mude a Lei do Ruído de forma a proteger quem está a trabalhar em casa - outra exigência ignorada pelo Executivo no decreto presidencial de há 15 dias.

"Anda tudo aqui um bocadinho a tentar adormecer a situação porque já tomaram a decisão política de só desconfinar no final do março."

Ontem o Presidente da República falou com a IL, o Chega, o PEV, o PAN, o CDS e o PCP.

João Cotrim Figueiredo, da IL, confirmou que a intenção do PR para os próximos 15 dias é não mexer em nada - levando mesmo o confinamento geral até final de março (tal como aliás Marcelo e António Costa já prometeram).

"O facto de o Presidente da República não sentir que haja nem dados no Infarmed nem, contrariamente ao que é habitual, feedback por parte do Governo para introduzir coisas novas ou retirar coisas do decreto dá-nos a entender que anda tudo aqui um bocadinho a tentar adormecer a situação porque já tomaram a decisão política de só desconfinar no final do março", afirmou.

"Fazemos um apelo para que este planeamento do pós-confinamento seja um planeamento feito rapidamente, de modo a que os portugueses saibam com tempo o que se vai passar nas suas vidas."

Cotrim Figueiredo foi apenas uma das vozes políticas que ontem repetiu exigências ao Governo para que comece a preparar o desconfinamento . André Ventura também exige um plano. E o PSD já o tinha feito, anteontem, através do deputado Maló de Abreu: "Fazemos um apelo para que este planeamento do pós-confinamento seja um planeamento feito rapidamente, de modo a que os portugueses saibam com tempo o que se vai passar nas suas vidas".

"Desde o princípio que admitimos que as escolas fossem encerradas numa situação que não se prolongasse no tempo. Hoje está provado que as escolas não são foco da epidemia, é necessária uma planificação, que inclua reforço dos meios escolares."

O CDS também está alinhado pelo mesmo diapasão, exigindo ao Governo, como ontem disse o líder do partido, Francisco Rodrigues dos Santos, "um calendário transparente e previsível sobre a evolução das regras de saúde pública nos próximos três meses, para que se dê início a uma desconfinamento progressivo e gradual nas áreas da educação, nos contactos sociais, nos negócios e nas atividades, nos eventos e também nas viagens."

Já o PCP - que se opõe desde o início à aprovação dos estados de emergência - insiste "que o confinamento tem de ser entendido como uma medida de exceção e não como solução duradoura". E também insiste na necessidade de se ir planeando a reabertura das escolas: "Desde o princípio que admitimos que as escolas fossem encerradas numa situação que não se prolongasse no tempo. Hoje está provado que as escolas não são foco da epidemia, é necessária uma planificação, que inclua reforço dos meios escolares."

E assim, o único partido que parece sintonizado com a retórica do Governo (tirando o PS, claro) é o PAN. "Penso que a narrativa não deve estar virada para o desconfinamento", disse ontem André Silva. Mas logo acrescentando: "Esperamos que, desta vez, o Governo esteja a preparar um plano de saída robusto e gradual do confinamento."

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