Marcelo e Costa a duas vozes quanto às datas do início do desconfinamento

Presidente da República estabeleceu Páscoa como "marco", mas António Costa só faz exigências para os próximos 15 dias. Dia 11 de março o Governo apresentará plano de desconfinamento.

Pode ser só uma diferença de tom. Mas a verdade é que o Presidente da República e o primeiro-ministro não parecem exatamente alinhados quanto a datas possíveis para o início do desconfinamento - sendo que ambos concordam que deve ser faseado, gradual e iniciar-se pelo sistema de ensino.

Na quinta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa insistiu em fazer passar a ideia de que não é possível pensar em desconfinamentos antes da Páscoa (4 de abril). "Temos de ganhar até à Páscoa o verão e o outono deste ano" ou "é uma questão de prudência e de segurança manter a Páscoa como o marco essencial para a estratégia em curso" foram algumas das suas afirmações.

O Presidente, de resto, até fez questão de prevenir eventuais tentações de começar o desconfinamento a meio de março para depois voltar a fechar o país por causa do fim de semana pascal, reabrindo a seguir: "A Páscoa é um tempo arriscado para mensagens confusas ou contraditórias. Como por exemplo a de abrir sem critério antes da Páscoa, para fechar logo a seguir, para voltar a abrir depois dela." "Quem é que levaria a sério o rigor pascal?"

Esta sexta-feira, falando numa conferência de imprensa após mais uma reunião do Conselho de Ministros, o primeiro-ministro pareceu pôr todas as fichas na ideia de que é preciso manter tudo como está em termos de confinamento - mas só na próxima quinzena.

"Sei que há ansiedade de ver a luzinha ao fundo deste confinamento, mas não queria contribuir para criar qualquer tipo de ilusão e para que as pessoas percam de vista a ideia de que nos próximos 15 dias há que manter tudo o que foi feito."

Foram várias as frases nesse sentido. Esta: "Estamos numa trajetória de diminuição de novos casos, internados e óbitos, mas devemos persistir nos próximos 15 dias para consolidar e melhorar o que já alcançámos. Ainda precisamos de muito para melhorar, mas percebo a ansiedade de todos. Não queria de forma alguma criar algum tipo de ilusão. É preciso manter tudo como até agora." Ou esta: "Devemos evitar confundir os cidadãos com mensagens excessivamente sofisticadas que induzam os portugueses em erro. Anunciar plano de desconfinamento é distrair os cidadãos do essencial: mantermo-nos confinados durante os próximos 15 dias." Ou ainda: "Sei que há ansiedade de ver a luzinha ao fundo deste confinamento, mas não queria contribuir para criar qualquer tipo de ilusão e para que as pessoas percam de vista a ideia de que nos próximos 15 dias há que manter tudo o que foi feito."

"Vivemos uma fase perigosa"

Neste contexto, anunciou que o governo anunciará um plano de desconfinamento - e este será "gradual" e "guiado por um conjunto de critérios objetivos", admitindo ainda variantes geográficas.

A data escolhida para esse anúncio - 11 de março - permite pensar que o governo admite a hipótese de, nessa altura, anunciar por exemplo a reabertura das creches (e eventualmente o 1.º ciclo do básico) para o início da semana seguinte. O que garantidamente se sabe no calendário escolar é que os estudantes estarão sem aulas de 29 de março a 4 de abril (e esse calendário abrange também o pré-escolar do sistema público).

António Costa esforçou-se por passar a ideia de que a atual situação pandémica, embora muito melhor do que há quatro semanas, é na verdade quatro vezes pior da que se vivia em maio do ano passado, quando se operou o primeiro desconfinamento geral.

O chefe do governo alertou, aliás, para o facto de já surgirem sinais de que as pessoas estão a desconfinar mais do que o aconselhável. "Vivemos uma fase perigosa, de ilusão que o pior já passou. Não podemos correr riscos", apelou.

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