Marcelo diz que Cavaco Silva "fez o discurso esperável"

O ex-presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa afirmou hoje que para a oposição e largos setores da opinião pública, "o único discurso bom" de Cavaco Silva "é aquele que ele nunca faria", considerando que fez a intervenção "esperável".

À margem de um jantar com o candidato do PSD à Câmara de Matosinhos, Pedro da Vinha Costa, questionado pelos jornalistas sobre o discurso do Presidente da República das comemorações do 10 de Junho, Marcelo Rebelo de Sousa disse corresponder aquilo que estava à espera, apontando que "há setores do país que ficam muito desiludidos porque estão sempre à espera de que o Presidente faça o discurso que ele nunca fará".

"Para a oposição e para largos setores da opinião pública portuguesa, o único discurso bom é aquele que ele nunca faria", enfatizou.

Na opinião do ex-presidente do PSD, Cavaco Silva esgotou "os temas de atualidade no campo de manobra que é o dele", já que "não tem outro".

"Do meu prisma, eu acho que não era esperável que ele viesse anunciar o que uma parte da oposição quereria, que era qualquer tipo de crítica ou de ofensiva em relação ao Governo", observou.

Marcelo Rebelo de Sousa defende por isso que Cavaco Silva "fez o discurso esperável e que está muito ligado a problemas que estiveram na ordem do dia", tendo o primeiro tema a ver com o património cultural.

"Em segundo lugar é o discurso sobre a agricultura. No fundo, os governos de Cavaco Silva têm sido atacados com o argumento de que foi uma ocasião perdida ou falhada com a entrada nas comunidades europeias. Ele veio responder a isso", explicou, acrescentando que foi evidente que "foi uma defesa".

O comentador político considerou ainda que o chefe de Estado "quis explicar, uma vez mais, que não esperem dele que seja um Presidente protagonista, crítico em relação ao Governo, que dissolva, que antecipe eleições".

"Ele pela primeira vez fala, depois de um Conselho de Estado, sobre o pós-troika para dizer que aí vai ter que haver um entendimento entre PS e PSD", afirmou, especificando que Cavaco Silva não nomeou os partidos concretamente.

Marcelo Rebelo de Sousa analisou que Cavaco Silva quis dizer que o seu papel "foi sempre o mesmo ao longo da história", quer com Sócrates quer agora, concordando que "na maior parte do tempo foi sempre o mesmo".

"Quem realmente faz cair o Governo é o PSD, ou melhor, é a conjugação do PSD em relação ao PEC 4, com a oposição que existia anteriormente", respondeu.

Por isso, para o social-democrata, naquele "curto período em que há a confluência das duas oposições, ele tem sempre a defesa de dizer que só interveio porque as oposições fizeram cair o PEC 4".

"Foi completamente diferente do discurso do 25 de Abril. Esse foi de claro apoio ao Governo. Este foi um discurso de explicação, se quiserem, justificação em relação a pontos importantes da atualidade mas é uma explicação - e nisso é que eu acho que o discurso está bem concebido do ponto de vista da forma - é uma explicação, mesmo quando é uma defesa, sem aparecer ostensivamente como uma defesa", concluiu.

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