Marcelo. "Apelaria a bom senso para que não houvesse aumentos na TAP"

Marcelo Rebelo de Sousa mostrou-se crítico com os aumentos na administração da companhia aérea portuguesa que se encontra em processo de reestruturação. Em entrevista na RTP, o recandidato a Belém garantiu também que não pediu a demissão de ministro da Administração Interna.

Na condição de recandidato a um segundo mandato na Presidência da República, em entrevista à RTP, Marcelo Rebelo de Sousa fez um apelo que haja bom senso na TAP para que não se repitam aumentos salariais a membros da administração da companhia aérea portuguesa, num momento em que está está sob um processo de reestruturação com despedimentos e redução de ordenados.

Marcelo criticava assim o facto do governo ter autorizado que três membros do conselho de administração da TAP receberam aumentos salariais. E lembrou que é importante a "perceção" de uma empresa que vai procurar no futuro voltar a ter parcerias e não ficar nas mãos do Estado.

Na rajada de perguntas do jornalista João Adelino Faria, o recandidato a Belém manifestou novamente a convicção de que o governo irá até final do mandato em 2023, porque acredita que os orçamentos do Estado voltarão a passar no crivo do Parlamento. "Acredito que há condições que para quem viabilizou dois orçamentos viabilize mais dois", disse. Ou seja, um voto de confiança na manutenção do apoio ao governo por parte da esquerda. Mas se este vier a falhar, apesar das suas expectativas, e se for eleito novamente, não terá problemas em convocar eleições antecipadas.

Marcelo Rebelo de Sousa afastou a ideia de que António Costa as desejou neste primeiro ano de mandato. "O primeiro-ministro é muito institucional e sabe que avançar para eleições por iniciativa do próprio governo é um risco para o próprio governo", defendeu.

Sobre o Orçamento de Estado para 2021, que acabou de promulgar com algumas críticas sobre a falta de medidas na área social e para as empresas, admitiu que sem pandemia teria sido "mais duro na mensagem", mas que a promulgação nunca estaria em causa.

Aproveitou ainda para desmistificar a ideia que ficou de uma anterior entrevista, de que teria pedido a cabeça do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, por causa do assassinato do cidadão ucraniano Ihor Homeniuk no aeroporto de Lisboa. ""Não se aplica ao ministro, falei na administração pública, e tive o cuidado de dizer: se se apurar que não é um caso isolado", referiu sobre a mensagem proferida há algumas semanas, na qual Marcelo tinha dito que "é preciso saber se aqueles que deram vida ao sistema [SEF] durante um determinado período podem ser protagonistas do período seguinte, se não devem ser outros os protagonistas".

Marcelo quis passar a ideia de que as relações de Portugal e a Ucrânia não ficaram beliscadas com este caso e revelou que foi convidado pelo seu homólogo ucraniano a gravar uma mensagem de Ano Novo e a envie para aquele país.

As ideias extremadas defendidas pelo Chega e André Ventura voltaram a baila na entrevista, com a pergunta sobre se entende que está a ser violada a Constituição que jurou defender. Neste ponto, Marcelo escudou-se e não quis fazer comentários sobre o partido, limitando-se a dizer sempre que o Tribunal Constitucional e que tem de ajuizar sobre as matérias da Lei Fundamental. E garantiu: "A melhor maneira de lutar por ideais é o combate das ideias e não é a interdição de secretaria. Há ideias que me incomodam em vários partidos políticos". Acabou a dizer que é contra a pena de morte e a prisão perpétua, como defende o Chega.

Mas enquanto católico nunca imporá as suas convicções a um país laico, isto para não tomar qualquer posição sobre um futuro diploma sobre a despenalização da morte assistida.

O plano de vacinação também foi uma das questões a que respondeu, em particular sobre o facto dos idosos com mais de 80 anos e sem patologias terem sido deixados para uma segunda fase de vacinação, ao contrário de outros países como a Dinamarca. Neste ponto, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que a sua posição era "mais generosa" para os idosos, já que defendia que todos deviam ser prioritários, mas admitiu que os especialistas de saúde pública é que devem ter peso na decisão. Ele próprio com 72 anos e uma patologia cardiovascular ligeira ficará para essa segunda fase.

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