Manuela Gonzaga diz que o país "não tem política ambiental"

A candidata do Pessoas-Animais-Natureza (PAN) lamentou que em Portugal, "em termos da macropolítica", se continue a falar "em estratégias economicistas, extrativistas, destruidoras" do planeta.

A candidata do PAN à presidência da Câmara de Lisboa, Manuela Gonzaga, disse que a cidade, como o país, "não tem política ambiental" e considerou que o partido "semeou futuro" na campanha das autárquicas, que termina esta sexta-feira.

"Semeámos muito futuro. Não implica necessariamente que esse futuro colha os frutos imediatos, mas não é por isso que estamos aqui. Já criámos plataformas em que as pessoas sabem que nós ouvimos todo o tipo de pessoas. (...) Conseguimos chegar a muita gente e, sobretudo, conseguimos ouvir muita gente que deveria ser ouvida. Eu saio desta campanha de coração cheio", garantiu Manuela Gonzaga, em declarações à Lusa.

Manuela Gonzaga começou o último dia da campanha das eleições autárquicas do próximo domingo na "greve climática", o protesto estudantil que sai à rua às sextas-feiras durante o ano letivo e que hoje mobilizou pelo menos mais dois candidatos à autarquia de Lisboa (Beatriz Gomes Dias, do BE, e Tiago Matos Gomes, do Volt), além de representantes de outras forças políticas, como o Livre e o MAS.

A candidata do Pessoas-Animais-Natureza (PAN) lamentou que em Portugal, "em termos da macropolítica", se continue a falar "em estratégias economicistas, extrativistas, destruidoras" do planeta.

"Nós não temos política ambiental em Lisboa, nós não temos política ambiental em Portugal, não temos. Nós temos uma tutela chamada do ambiente que é completamente ficcional, não existe", considerou.

"Estamos completamente solidários com a juventude e particularmente com esta juventude esclarecida que se organiza e que vai herdar um futuro que nós lhe deixamos e que está completamente em questão", disse à Lusa Manuela Gonzaga, no topo do Parque Eduardo VII, em Lisboa, onde se concentraram os manifestantes em defesa de políticas ambientais.

A candidata do PAN a presidir à Câmara de Lisboa sublinhou que o partido está "muito atento às alterações climáticas há muitos anos" e disse ter consciência de que a sua geração (nasceu em 1951) "estragou o mundo que esta gente vindoura e esta gente mais nova está a herdar".

A campanha de Manuela Gonzaga termina esta tarde com uma ação de limpeza.

O objetivo é fazer "a compensação carbónica da campanha" e o local escolhido é o Parque Florestal de Monsanto, por onde a candidatura do PAN a Lisboa passou "várias vezes" nas últimas semanas.

"Monsanto está entregue ao abandono e se nestas alturas há um bocadinho de atenção sobre estes assuntos (...) nós estaremos ali para dar o nosso testemunho de solidariedade, chamar a atenção da destruição e do abandono a que Monsanto está votado", afirmou.

Além de Manuela Gonzaga, concorrem à Câmara de Lisboa Fernando Medina (PS/Livre), Carlos Moedas (PSD/CDS-PP/PPM/MPT/Aliança), João Ferreira (CDU -- PCP/PEV), Beatriz Gomes Dias (BE), Bruno Horta Soares (IL), Tiago Matos Gomes (Volt Portugal), Nuno Graciano (Chega), João Patrocínio (Ergue-te), Bruno Fialho (PDR), Sofia Afonso Ferreira (Nós, Cidadãos!) e Ossanda Liber (movimento Somos Todos Lisboa).

A Câmara de Lisboa, atualmente presidida por Fernando Medina, é composta por oito eleitos pelo PS (incluindo dos Cidadãos por Lisboa e do Lisboa é muita gente), um do BE (que tem um acordo de governação do concelho com os socialistas), quatro do CDS-PP, dois do PSD e dois da CDU.

O PAN tem dois deputados na assembleia municipal, onde conseguiu representação pela primeira vez há oito anos.

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