Manuel Maria Carrilho tem um passado de "traição"

O ex-dirigente socialista André Figueiredo contestou hoje a eventual nomeação do ex-ministro Manuel Maria Carrilho para a direção do Laboratório de Ideias para Portugal (LIP) do PS, considerando que é alguém com um passado de "traição".

A posição de André Figueiredo, ex-secretário nacional do PS para a Organização e um dos deputados considerados próximos de José Sócrates, segue-se a declarações críticas no mesmo sentido feitas pelo deputado José Lello na reunião de hoje da bancada socialista.

André Figueiredo começa por considerar "interessante e bastante positiva" a ideia da direção do PS de criar o laboratório de ideias, que substituirá o gabinete de estudos deste partido e que será presidido pelo secretário-geral, António José Seguro.

Depois, no entanto, faz duras críticas à possibilidade de Manuel Maria Carrilho integrar esta entidade, que terá como objetivo principal preparar o futuro programa eleitoral do PS.

"Se a escolha de Francisco Assis é um tiro certeiro, Manuel Maria Carrilho só pode ser um erro de casting. Nunca esquecerei a insídia protagonizada por Carrilho para com três secretários-gerais do PS [António Guterres, Ferro Rodrigues e José Sócrates] e espero, sinceramente, que não seja tentado a persistir nessa baixeza", avisa o ex-membro do Secretariado Nacional do PS.

Para André Figueiredo, "o único denominador comum entre os secretários-gerais António Guterres, Ferro Rodrigues e José Sócrates e a expressão ?traição e oportunismo políticos' é mesmo o militante Manuel Maria Carrilho".

"Não acredito é que [Francisco] Assis tivesse tido conhecimento antecipado da presença de Carrilho neste projeto", acrescentou, num recado ao ex-líder parlamentar do PS.

Numa carta aberta aos militantes socialistas, divulgada no Facebook, o deputado socialista Renato Sampaio também acusa Carrilho de ter traído António Guterres, Ferro Rodrigues e José Sócrates.

"Não quero aqui fazer um juízo de valor do carácter da personalidade em causa, mas apenas alertar os militantes do meu partido para o ínvio percurso político de Manuel Maria Carrilho", escreveu Renato Sampaio na sua página da rede social.

Entre outros episódios do percurso de Manuel Maria Carrilho, Renato Sampaio recorda o conflito que Carrilho teve com António Guterres em 2000 e a resposta dura dada pelo vice-presidente da bancada socialista José Junqueiro ao ex-ministro da Cultura.

Depois Renato Sampaio deixa uma pergunta: "O que pensará hoje o mesmo José Junqueiro sobre a reabilitação que estão a tentar fazer de tal personagem?", questiona o ex-líder do PS/Porto.

Renato Sampaio acusa ainda Manuel Maria Carrilho de oportunismo em relação a José Sócrates.

"Todos nos lembramos do ataque soez a José Sócrates na disputa para a liderança do PS em 2005, mas após a sua vitória passou a andar permanentemente a puxar-lhe pela aba do casaco para que este lhe arranjasse uma reforma dourada.

Que ingenuidade de José Sócrates em acreditar que a lata de flandres podia ser aço inox?", comenta o deputado socialista.

Numa posição transmitida à agência Lusa, José Lello, que também integrou as direções de José Sócrates, afirmou que a eventual "promoção" de Manuel Maria Carrilho "é uma opção incompreensível por parte da atual direção do PS e representa um ato hostil em relação à História recente do partido".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG