Manuel Alegre na campanha do PS: "Não estamos condenados à fatalidade"

Histórico socialista discursou num comício na FIL para dizer que os socialistas lutam "contra poderosíssimos interesses económicos, financeiros e mediáticos que estão por detrás deles".

O histórico dirigente socialista Manuel Alegre apelou hoje ao voto no PS e em António Costa porque Portugal não está condenado à "fatalidade", e o Governo, diz, tem pautado a sua atuação por uma "colossal manipulação" e "batota".

"António Costa e o programa do PS mostraram que, mesmo sem violar as regras, sem entrar em aventuras perigosas, é possível fazer diferente, é possível fazer melhor, não há só um caminho. Não estamos condenados à fatalidade", vincou Alegre num comício na Feira Internacional de Lisboa (FIL).

Para o antigo candidato presidencial, o PS não está a lutar nas legislativas de domingo apenas contra a coligação PSD/CDS-PP: "Estamos a lutar contra poderosíssimos interesses económicos, financeiros e mediáticos que estão por detrás deles", advertiu, perante aplausos dos presentes, que lotavam um dos pavilhões do espaço na capital.

O PS, prosseguiu Alegre, "não tem bancos, não tem jornais, não tem televisões, não tem empresas de sondagens", mas tem "história e valor" e um líder, António Costa, "que é hoje um garante de uma mudança com segurança e confiança".

"Os ataques a António Costa são ataques a cada um de nós, a todos os socialistas", prosseguiu o membro do Conselho de Estado, que apelou a todos os que "amam a democracia, o Estado social e o espírito do 25 de Abril" para não desperdiçarem votos nas eleições.

"Só o PS e António Costa estão em condições de derrotar a direita. Só o PS é capaz de restabelecer a confiança (...) entre todas as forças sociais e políticas", declarou Alegre, que lamentou que haja setores à esquerda "mais apostados em atacar o PS que a direita".

E concretizou: "Não estamos neste combate para derrotar os outros partidos da esquerda. Estamos neste combate para derrotar a coligação de direita".

A "troco de mais uns votos, mais um ou dois deputados, a troco de nada", os partidos mais à esquerda acabam, diz Alegre, por "fazer um grande frete à direita portuguesa" ao concentrarem as críticas nos socialistas.

"Não vale a pena ter ilusões: para alguns o PS é o inimigo principal", alertou.

Já sobre Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, líderes de PSD e CDS-PP, respetivamente, Manuel Alegre disse que "não têm emenda" e "não são a segurança" de que o país precisa, antes "são a incerteza nas famílias e nas empresas, são a instabilidade e a insensibilidade social".

"Será que os portugueses gostam que lhes cortem salários e pensões? Que os seus filhos e netos sejam obrigados a emigrar? Que as empresas públicas sejam vendidas ao desbarato e os direitos do trabalho sejam espezinhados?", interrogou, apontando críticas nestas áreas à atuação do Governo de maioria PSD/CDS-PP.

"Esta é a hora de dizer ao país que o PS não tem medo. O PS não cede à chantagem nem às sondagens. O PS não se rende. Vamos à luta, vamos à vitória", concluiu, perante gritos de incentivo ao partido e aplausos da plateia.

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