Manuel Alegre considera que críticas a Sócrates são ajuste de contas e ataque pessoal

O socialista Manuel Alegre considerou hoje que as acusações de falta de lealdade institucional do Presidente da República a José Sócrates são um "ajuste de contas e um ataque pessoal que não fica bem à primeira figura do Estado".

"É a primeira vez que vejo um Presidente da República vir ajustar contas com um primeiro-ministro 'a posteriori', depois de este ter deixado o cargo. É um ajuste de contas, um ataque pessoal que não fica bem à primeira figura do Estado", disse à agência Lusa Manuel Alegre.

O ex-candidato à Presidência da República pelo PS disse que deve haver distinção entre a crítica política e os ataques pessoais.

"Assim como reagi àquilo que Marcelo Rebelo de Sousa chamou de tiro ao Cavaco também agora me indigna esta nova modalidade de tiro ao Sócrates que é uma forma de sacudir a água do capote e distrair as atenções. Há muitos ataques pessoais a José Sócrates e lamento que Cavaco Silva tenha entrado nesse jogo", disse.

No prefácio do livro "Roteiros VI", que reúne as suas principais intervenções públicas, Cavaco Silva tece várias considerações sobre a postura do ex-primeiro-ministro José Sócrates, criticando não ter sido "previamente informado sobre o conteúdo ou sequer da existência do 'PEC IV'" tendo por isso ficado "impedido de exercer a sua magistratura de influência com vista a evitar o deflagrar de uma crise política".

"Tratou-se de uma falta de lealdade institucional que ficará registada na história da nossa democracia. O Presidente da República, nos termos constitucionais, deve ser informado acerca de assuntos respeitantes à condução da política interna e externa do País", acusa.

No texto, Cavaco Silva lembra o pedido de demissão do então primeiro-ministro por falta de condições políticas, na sequência do chumbo do 'PEC IV' no Parlamento, e o facto de não existir "qualquer hipótese de constituir um Governo alternativo com o mínimo de solidez e consistência", com todos os partidos da oposição a rejeitarem "liminarmente" a possibilidade de integrarem um Executivo com o PS liderado por José Sócrates e os próprios socialistas a não manifestarem "interesse genuíno na formação de um Governo de coligação".

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