Manifestantes mantidos à distância do Presidente

A manifestação de autarcas e população de freguesias do distrito de Santarém "ficou à porta" da Feira Nacional da Agricultura, tendo sido apenas permitida a passagem de uma delegação que não chegou a encontrar-se com o Presidente da República.

Da delegação, com cinco autarcas representantes do PSD, PS, CDU, BE e um independente, apenas três elementos foram recebidos pelo chefe da Casa Civil do Presidente da República, a quem entregaram uma moção aprovada ao princípio da tarde numa tribuna pública que juntou cerca de 200 pessoas no Jardim da Liberdade, em Santarém.

Vestidos de negro, os manifestantes seguiram em "cordão humano" até ao local onde o Presidente da República hoje inaugurou a Feira Nacional da Agricultura, mas foram retidos na rotunda de acesso ao Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA).

Cavaco Silva nem sequer viu os manifestantes, já que a comitiva usou uma entrada secundária para chegar ao recinto.

"Não estamos nada satisfeitos", disse à agência Lusa o porta-voz do movimento "No Ribatejo, Freguesias Sim!", Augusto Figueiredo, lamentando que o Presidente não só não tenha recebido pessoalmente o documento em que contestam a promulgação da lei que ditará a extinção/fusão de freguesias, como tenha evitado os manifestantes.

"Viemos aqui de preto porque estamos indignados, preocupados, e porque queremos corresponsabilizar quem deixa passar leis como esta", disse, frisando que ninguém beneficia com a reforma imposta pela lei 22/2012, publicada em Diário da República na passada quarta-feira.

Augusto Figueiredo afirmou que Cavaco Silva será "corresponsável pela tensão social" que vai crescer com o desaparecimento de estruturas que têm contribuído para a coesão nacional.

"Num momento de crise como o que vivemos não se percebe", disse, assegurando que o movimento de contestação não vai parar até ser conseguido o objetivo de revogar a lei.

Segundo disse, a petição para que a Assembleia da República volte a discutir a reforma administrativa já tem 4.200 assinaturas.

Os manifestantes, que tiveram consigo uma delegação de autarcas de freguesia de Barcelos, o deputado comunista António Filipe e os presidentes das câmaras municipais de Salvaterra de Magos (BE) e de Alpiarça (CDU), fizeram a caminhada até ao recinto do CNEMA exibindo uma faixa em que se lia "Deixem as freguesias em paz que elas não fazem mal a ninguém".

A moção entregue hoje lamenta que Cavaco Silva tenha promulgado a lei sem ouvir nem a Associação Nacional de Freguesias nem a Plataforma Nacional Contra a Extinção de Freguesias.

"Nesta carta que agora lhe endereçamos lamentamos que assim tenha procedido e estamos convictos que este seu ato legítimo e legal constitui um grave erro", afirma.

Na missiva, o movimento promete que "ao invés de baixar os braços" vai prosseguir a luta, já que acredita que "esta lei cega e injusta" ainda pode ser revogada.

"A história escreve-se todos os dias e agora o senhor Presidente tem um papel central. Não queira ficar conhecido como o coveiro das freguesias. Apelamos ao seu bom senso e à defesa da Constituição", rematam.

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