Mais de metade do PS ausente de debate com Passos

Os dias agitados que se têm vivido no PS estão-se a repercutir na presença do partido nos debates com o primeiro-ministro que estão hoje de manhã a decorrer na Assembleia da República.

São muitas as clareiras na bancada socialista - de longe a bancada menos presente no debate. Pelas 11:30 não estavam no hemiciclo mais de 30 deputados socialistas - e no total são 74.

Espera-se que o número de presenças quando ao final da manhã chegar a hora das votações - porque é nessa altura que os deputados têm de registar eletronicamente a sua presença, algo essencial para o registo das faltas.

O PSD já explorou os problemas internos no PS, através do seu líder parlamentar. Luís Montenegro igualizou António José Seguro e António Costa: "A grande verdade é que seja com um ou seja com outro, o tacticismo é o mesmo".

Montenegro aproveitou ainda para voltar a censurar a recusa do PS em participar na comissão parlamentar criada pela maioria PSD/CDS para estudar a reforma do Estado:"Quem tem falta de comparência a este debate jamais merecerá governar."

Mas nem só o PS foi alvo da maioria. A extrema-esquerda também, pela voz do primeiro-ministro. Pedro Passos Coelho criticou, a propósito de uma intervenção de Heloísa Apolónia, do PEV, uma "certa demagogia" que no seu entender "é feita contra a banca e contra as grandes empresas".

O primeiro-ministro disse que "há e sempre houve irresponsabilidade" no setor financeiro, e que "na Europa e no mundo" muitas "perdas financeiras foram socializadas" mas "isso não pode ser confundido" com "atacar a banca e o sistema financeiro".

"Muitos bancos portugueses têm ajudado patrioticamente as emissões de dívida" feitas pelo Governo, disse ainda o primeiro-ministro. Passos Coelho salientou porém que no recente regresse de Portugal ao mercado da dívida pública "mais de 90%" da emissão (de 2500 milhões) foi "tomada por investidores externos".

"E o que aconteceu - disse ainda - não é estrito mérito do Governo." Embora insistentemente interpelado pela deputada do PEV, Passos Coelho recusou censurar as palavras, ontem, do presidente do BPI, Fernando Ulrich ("Se os sem-abrigo aguentam porque é que nós não aguentamos?", perguntou o banqueiro).

O debate quinzenal com o primeiro-ministro terminou pelas 12:00 iniciando-se logo de seguida, também com a presença de Pedro Passos Coelho, um outro debate, desta vez sobre o próximo Conselho Europeu, que vai discutir o orçamento da UE para os próximos sete ano.

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