Maiorias absolutas e voto útil "para quê"?

Líder do PCP atirou-se contra os apelos à maioria absoluta do PS e da coligação, que disse terem "infernizado" a vida dos portugueses.

Um cravo vermelho surgiu ontem pela primeira vez na camisa de Jerónimo de Sousa, colocado por uma militante de Alpiarça já com um atrás da orelha direita.

Num almoço-comício da CDU que levou ao Pavilhão Desportivo de Alpiarça cerca de 800 militantes, quando a organização disse estarem 600 inscritos, os primeiros minutos foram passados a arranjar novos lugares - e alguns dos comensais a "desviar" cadeiras, pratos e talheres das mesas destinadas aos jornalistas. Certo é que várias dezenas deixaram os lugares no momento dos discursos, preferindo aproximar-se do palco e ouvir de pé - e ainda com maior entusiasmo em relação a iniciativas anteriores - o que Jerónimo de Sousa e António Filipe, entre outros, tinham para dizer e motivar os presentes.

Num dia de campanha que continuou ao fim da tarde em Évora, com outro comício em que o discurso pouco mudou, Jerónimo de Sousa fez um ataque cerrado aos apelos de maioria absoluta e ao voto útil por parte de PS, PSD e CDS. "Querem governar com quem? Para fazer que política? Não conseguem explicar, porque o [seu] passado fala por si. Já experimentaram tudo, já tiveram maiorias absolutas", que lhes deram estabilidade política [mas] que infernizaram a vida" dos portugueses.

O voto útil "não é para servir quem o recebe", ele "também deve ser útil para quem o dá", declarou Jerónimo de Sousa, após o primeiro orador, João Madeira Lopes, ter dito que "seria inaudito, totalmente incompreensível, que os portugueses tornassem a escolher a coligação" PSD-CDS tendo em conta a política dos últimos quatro anos.

Com o grande pavilhão a ferver de tanto calor, o cabeça de lista da CDU por Santarém, António Filipe, aproveitou as recentes alusões da coligação PSD-CDS a uma aliança de esquerda radical entre socialistas, bloquistas e comunistas para dizer que isso "é um bom sinal". PSD e CDS "gritam cada vez mais alto porque a maioria absoluta está cada vez mais longe", frisou o deputado, a propósito de Pedro Passos Coelho ter agitado o papão anticomunista.

Já no Teatro Garcia de Resende, com a presença do líder parlamentar e cabeça de lista por Évora, João Ferreira, Jerónimo sublinhou a inutilidade de o PS contar com o apoio da CDU se pretender continuar as políticas dos últimos anos. "Palavra dada é palavra honrada", por isso "a nossa opção é estar do lado dos trabalhadores e do povo e não do grande capital", argumentou o líder da CDU - independentemente de isso poder redundar num novo governo de direita.

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