Maioria confirma viabilização do inquérito ao BES

PCP e BE falam em "promiscuidade entre poder político e atividade predatória dos grupos bancários", em "negócios sujos e trafulhice". PSD e CDS afirmam discordar dos "considerandos", mas dão luz verde à investigação.

A maioria PSD/CDS vai mesmo viabilizar a comissão de inquérito ao caso BES, apesar de ter frisado esta sexta-feira, no Parlamento, que discorda de alguns dos pontos da fundamentação apresentada no requerimento do PCP.

Pelo PSD, o deputado Duarte Pacheco pediu aos comunistas, bem como ao BE, que se "evitem insinuações sem fundamento" e apelou a que não se parta para os trabalhos de investigação "já com conclusões tiradas", enquanto pelo CDS Cecília Meireles assinalou que a bancada "discorda de alguns considerandos". "Bancos e banqueiros são coisas diferentes, alguns maus exemplos não se podem confundir com aquilo que é o papel do sistema financeiro", salientou.

Nas intervenções em plenário, ambas as bancadas colocaram o acento tónico na importância de investigar o que falhou na gestão do BES e em todo o universo do Espírito Santo (GES), enquanto a esquerda parlamentar não esqueceu os responsáveis políticos.

O PCP, que solicitou a constituição da comissão, defendeu que o que aconteceu ao BES "é o resultado da total cumplicidade do poder político na atividade predatória dos grupos bancários". João Oliveira, líder parlamentar dos comunistas, sustentou ainda que a bancada se opõe à "operação de desvalorização e venda" do Novo Banco, bem como à "destruição de postos de trabalho".

Mais dura foi a intervenção de Mariana Mortágua (BE). Isto porque a deputada considera que o caso BES é "especial", visto ter sido "sede de trafulhice", "negócios sujos", "gestão danosa" e "ligação a centros de lavagem de dinheiro". E atirou ainda que o BES "foi o banco do regime português", visto ter "estado presente em 16 dos 19 Governos" e ainda em várias privatizações levadas a cabo nos últimos anos.

Já o PS, pela voz do deputado António Braga, recuou ao período de assistência económica e financeira para questionar a "relação entre o Banco de Portugal e a troika" para criticar o que considerou uma "ilusão de que o programa corria às mil maravilhas".

Na sua intervenção, o vice-presidente da bancada 'rosa' desafiou o Executivo liderado por Passos Coelho - a bancada do Governo esteve vazia ao longo do debate - a garantir aos portugueses que os cerca de 4,9 mil milhões de euros do fundo de resolução serão repostos no erário público. E sublinhou, a rematar, que graças a esta intervenção, o défice orçamental será este ano de quase 10%.

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