Maçonaria de Coimbra contra adesão da Guiné Equatorial

A loja maçónica da Associação Fraternidade e Justiça (Coimbra), pertencente ao Grande Oriente Lusitano, manifestou-se esta segunda-feira contra a adesão da Guiné Equatorial à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

"Trata-se de um país que pratica a pena de morte e mantém o desrespeito sistemático dos mais elementares direitos consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos", disse à agência Lusa Manuel da Costa, porta-voz da organização.

O antigo governante e histórico socialista das Beiras adiantou que enviou uma comunicação à direção nacional do Grande Oriente Lusitano a estranhar que não "exista um posicionamento de indignação de âmbito nacional".

"Existe um vazio de posições que nos dignifique. A nossa matriz é a defesa da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que foi criação de gente da nossa área, e é incompreensível que não haja uma posição contrária mais expressiva e pública", sublinhou.

Segundo Manuel da Costa, "se mais não fizermos, pelo menos indignamos-nos e alertamos para o desrespeito dos direitos humanos" na Guiné Equatorial, cuja adesão à CPLP foi recomendada, em fevereiro, pelos chefes da diplomacia da organização.

Para o porta-voz da Associação Fraternidade e Justiça, "em tempo de crise, os interesses económicos, fundamentalmente, levam a que as pessoas se encolham e se conformem, preferindo cada um resolver a sua vidinha e procurar oportunidades".

"Nós não estamos satisfeitos com a direção da nossa organização nacional [Grande Oriente Lusitano] e, portanto, alguém tinha de criticar e tomar posição" de indignação face à anunciada adesão da Guiné Equatorial à CPLP, frisou o maçom.

A entrada daquele país africano será formalizada na quarta-feira, em Díli, durante a cimeira de chefes de Estado e de Governo da CPLP.

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