Louçã quer acabar com correntes fundadoras do Bloco

O antigo coordenador do Bloco de Esquerda junta-se a um dos atuais coordenadores, João Semedo, e a José Manuel Pureza na defesa do fim das correntes originais do BE e da criação do "Socialismo", uma nova corrente que propõem fundar numa conferência nacional em abril.

As propostas de Louçã, ex-coordenador do BE, Semedo, atual líder (com Catarina Martins), e de Pureza, antigo líder parlamentar, constam de um texto de dez páginas, a que a agência Lusa teve hoje acesso.

O documento é uma segunda versão, já com "arestas limadas", de um texto finalizado pelos três bloquistas no fim de 2012 e que foi apresentado pela primeira vez aos aderentes do partido há algumas semanas.

No texto, Louçã, Semedo e Pureza apelam à participação de todos os bloquistas na "maior renovação da vida interna do BE" e apontam dois objetivos da nova corrente: "Concentrar energias num trabalho comum para a estratégia socialista e aprofundar uma reflexão ideológica empenhada e construtiva".

Os três dirigentes sublinham que esta nova plataforma "não substitui, nem se sobrepõe aos organismos eleitos pela Convenção ou por outras assembleias estatutárias do BE e, portanto, não pilota a ação dos eleitos nessas direções nem dos ativistas".

Para lançar a corrente "Socialismo", Francisco Louçã, João Semedo e José Manuel Pureza propõem uma conferência fundadora a realizar em abril "e, a partir de então, uma conferência anual, que elegerá uma estrutura de coordenação paritária entre homens e mulheres e que votará um texto de orientação".

Para preparar essa conferência, defendem a realização de assembleias locais, "abertas aos membros do BE", com "propostas de grandes opções estratégicas" a "apresentar à consideração de todo o movimento".

No documento, os três membros da Mesa Nacional do BE consideram que "o percurso das correntes originais", UDP, PSR e Política XXI, está "esgotado e encerrado".

"A afirmação do BE como direção coletiva teria alcançado um nível superior de articulação se os seus fundadores já tivessem criado entre si um novo espaço que consolidasse o que quiseram que o BE representasse e que, portanto, superasse as correntes originais, realizando os seus objetivos", advogam.

Os três dirigentes bloquistas sublinham no entanto que esta proposta de uma nova corrente "respeita as suas raízes" e que "sem elas [o partido] não teria chegado até aqui".

"Os fundadores escolheram rejeitar a forma de coligação eleitoral ou de frente, porque escolheram criar um novo partido em que se juntaram todos os que quiseram fazer o movimento que é o BE (...) esse sucesso é o nosso património coletivo e não tem paralelo na história política moderna de Portugal", pode ler-se.

O BE foi fundado em 1999 por Francisco Louçã, Luís Fazenda, Miguel Portas e Fernando Rosas e através da aproximação da UDP, do PSR e da Política XXI, três partidos hoje sob a forma de associações políticas e que representam as correntes fundadoras do partido.

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