Louçã diz que Portugal não devia pagar juros da dívida

O coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, defendeu na sexta-feira que Portugal devia deixar de pagar os juros do empréstimo ao abrigo do memorando com a 'troika', constituída pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional.

"É preciso recusar a 'troika' e o memorando para recuperar capacidade de investimento, para a criação de emprego e para sairmos de um ciclo infernal, que se está a viver de dois em dois meses, com estas visitas de inspeção [da 'troika'], que significam mais impostos, mais dificuldades, mais fanatismo, mais perseguição aos trabalhadores e aos desempregados. E isso é inaceitável", disse.

Francisco Louçã falava numa sessão pública sob o lema "Expulsar a 'troika', recusar o orçamento", que reuniu centenas de pessoas no Auditório do Estádio Municipal José Martins Vieira, na Cova da Piedade, em Almada.

No encontro, em que também defendeu a necessidade de "um governo de esquerda capaz de dar resposta à situação de emergência que o País está a viver", Francisco Louçã recusou a ideia de que Portugal poderia ficar em pior situação do que está, caso não cumprisse o memorando.

"A direita já testou tudo. A direita está a pagar uma dívida, incluindo juros que nós não devemos, tirando dos salários aumentando os impostos", apontou.

"O que é que vão fazer no próximo ano, ou daqui a dois anos, quando os juros forem o dobro? Já aumentaram os impostos em 40 %; depois vão aumentar em 80 % para quem ganha 800 euros?", interrogou o ainda líder bloquista, que deixa o cargo na próxima Convenção do Bloco de Esquerda.

Convicto de que a receita da 'troika' para Portugal não está a resultar, Francisco Louçã apelou também aos portugueses para que mostrem o descontentamento que têm manifestado nos últimos tempos durante a visita anunciada da chefe de governo da Alemanha, Angela Merkel, e para que participem na greve geral marcada para 14 de novembro.

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