Listas: unanimidade no PSD e alguma tensão na sede do CDS

Miguel Morgado, assessor político do primeiro-ministro, vai ser candidato a deputado pela coligação Portugal à Frente e Filipe Anacoreta Correia, ex-opositor de Portas, também.

Ao início da noite, os ambientes eram contrastantes nos dois conselhos nacionais da coligação. Enquanto no PSD, reunido numa unidade hoteleira junto ao Marquês de Pombal, reinava a tranquilidade e a descontração momentos antes do anúncio das listas de candidatos a deputados para as legislativas de 4 de outubro, no Largo do Caldas, entre os conselheiros do CDS, a tensão era evidente.

Entre os sociais-democratas só se verificou uma ligeira tensão após a intervenção de Passos Coelho, mas, no final, o resultado foi contundente: unanimidade na votação (única) e as listas foram aprovadas.

O presidente do PSD, durante a reunião do órgão máximo entre congressos, apelou a que o processo fosse breve para que não passasse a ideia de que o encontro tinha sido atribulado e defendeu que a construção das listas foi pacífica. Luís Montenegro, aos jornalistas, subscreveu a tese e disse que houve 60% de renovação numas listas que incluem 40% de mulheres.

Ora, nas listas, destacam-se as presenças de vários atuais governantes. Manuel Rodrigues, secretário de Estado adjunto e do Orçamento, é o segundo nome indicado pelo círculo eleitoral de Coimbra, ao passo que Pedro Lomba, secretário de Estado adjunto do ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, avança na quarta posição em Faro.

Miguel Morgado, assessor político do primeiro-ministro, vai ser candidato a deputado pela coligação Portugal à Frente na lista de candidatos pelo círculo eleitoral do Porto, ocupando o 13.º lugar.

Quem também vai avançar nesse distrito é o ex-ministro da Agricultura do governo liderado por Pedro Santana Lopes, Carlos Costa Neves, que em 2011 concorreu pelo círculo de Castelo Branco. Costa Neves ocupará o sétimo lugar dessa lista.

Fernando Negrão, presidente da comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, será número dois em Braga, onde Jorge Moreira da Silva, já se sabia, é o cabeça de lista.

Em Lisboa, foram aprovados os nomes da ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, do ministro da Presidência, Luís Marques Guedes, dos vice-presidentes do PSD José Matos Correia e Pedro Pinto e também do secretário-geral do partido, José Matos Rosa.

Conselho "quentinho"

No Largo do Caldas, onde fica a sede do CDS, a fresca aragem da noite não arrefecia os ânimos. "Vai ser um Conselho Nacional muito quente", comentava, à entrada da sala onde já estavam os conselheiros reunidos, um alto dirigente. Estar ou não estar na lista, em que lugar, quem entra, quem sai, marcavam as conversas. À hora do fecho do DN os nomes ainda não tinham sido aprovados pelos conselheiros, mas já tinham sido apresentados pelo presidente do partido, Paulo Portas.

Por Lisboa, com Portas como cabeça de lista, tem em segundo lugar Ana Rita Bessa, uma estreante, seguida de João Rebelo, Isabel Neto, Filipe Lobo d"Ávila, Filipe Anacoreta Correia e Raul Almeida. A escolha de Anacoreta Correia para um lugar elegível, mereceu intervenções críticas da parte de conselheiros, por este liderar um movimento de oposição interna a Portas. "Em nome da pluralidade no partido foi tomada essa decisão", justificou ao DN fonte oficial.

Pelo Porto, é Luís Pedro Mota Soares o primeiro do CDS na lista da coligação, seguido Cecília Meireles, Álvaro Castelo Branco, Francisco Mendes da Silva (uma novidade) e Vera Rodrigues. Setúbal mantém Nuno Magalhães à cabeça, seguido de Mariana Ribeiro Ferreira, a ex-presidente do Instituto de Segurança Social; Faro terá Teresa Caeiro como primeiro rosto dos centristas na coligação (foi eleita por Lisboa nesta legislatura; Aveiro terá João Almeida, o secretário de Estado da Administração Interna, à frente, seguido de António Carlos Monteiro, o secretário geral do partido, que se estreará como deputado. A lista por Braga provocou alguma polémica. Não por Telmo Correia, que já tinha sido cabeça de lista em 2011, mas porque Portas quis como número dois Vânia Dias da Silva, sua subsecretária de Estado, que não tem ligações ao distrito.

Contas feitas, a lista do CDS para a coligação tem 41% de mulheres, quatro rostos novos (Mariana Ferreira, Vânia Silva, Ana Rita Bessa e Francisco Mendes Dias) e um opositor interno, Filipe Anacoreta Correia.

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