Listas de deputados. Marco António Costa agita aparelho laranja

Coordenador político do PSD fará parte das listas, mas no partido nem todos concordam devido ao processo judicial de que é alvo.

As listas de candidatos a deputados ainda não estão fechadas e já há no PSD quem se agite com possíveis nomes que possam vir a integrá-las. E uma das personalidades que estão a causar mais controvérsia nas hostes sociais-democratas é Marco António Costa, dado que o vice-presidente e coordenador político do partido está a ser investigado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Porto por alegados crimes de tráfico de influências quando era vice-presidente da Câmara Municipal de Gaia.

O volume de informação que circulava ontem nos bastidores era grande e contraditório, e fontes do PSD chegaram a afirmar ao DN que Marco António Costa teria abdicado de entrar nas listas para não prejudicar o resultado da coligação Portugal à Frente no sufrágio que o Presidente da República convocou para 4 de outubro.

Contudo, fonte próxima do porta-voz social-democrata, em quem Pedro Passos Coelho depositou a responsabilidade de conduzir e negociar os moldes e a matemática da coligação com o CDS, assegurou ao DN que Marco António Costa será mesmo candidato. E em lugar elegível.

Ora, sendo candidato, o mais provável é que o homem forte do aparelho laranja avance na lista do Porto - distrito do qual é natural (nasceu em Fânzeres, Gondomar) e por onde já fora eleito em 2002 e em 2005 -, onde o ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, encabeçará a lista, como aconteceu em 2011.

Por outro lado, no mesmo testemunho é sublinhado, devido ao facto de ser coordenador político e porta-voz do PSD, que Marco António Costa terá de estar próximo do presidente do partido durante a campanha eleitoral, efetuando o habitual périplo pelos distritos do país, motivo por que dificilmente poderia ser cabeça de lista. Contactado pelo DN, o vice-presidente do PSD recusou fazer comentários sobre a alegada tensão que o seu nome estará a provocar quer nas estruturas dirigentes quer nas bases do partido por ser alvo de uma investigação judicial.

Há pouco mais de dois meses, a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou que recebeu uma participação contra o ex-secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social do governo de Passos Coelho, que deu origem a um inquérito a correr no DIAP do Porto, na sequência de uma denúncia de um antigo dirigente da distrital do PSD-Porto - da qual Marco António foi presidente.

Paulo Vieira da Silva enviou uma carta à PGR a descrever uma alegada rede de influências de Marco António em Gaia. De acordo com a RTP, a missiva descrevia um esquema de influências do dirigente social-democrata "na autarquia e empresas municipais, onde terá beneficiado amigos e pessoas da estrutura partidária", acrescentando que o braço direito de Passos no PSD promoveu a "colonização" da Câmara de Gaia quando Luís Filipe Menezes liderava o município.

A denúncia referia também que Marco António Costa "alimentava" e "pagava favores" a "amigos e boys" e apontava Agostinho Branquinho, o secretário de Estado da Segurança Social, os deputados Miguel Santos e Adriano Rafael Moreira e o presidente da distrital do PSD-Porto, Virgílio Macedo, como "homens de mão" do vice social-democrata.

Marco António, esse, transmitiu de pronto a sua "imediata disponibilidade" para prestar esclarecimentos sobre o processo e indicou, a 17 de maio, que a tinha manifestado à PGR no dia 11 do mesmo mês. Ainda assim, o dirigente pediu que fosse analisado "com todo o rigor jurídico o texto em que se baseia a suposta denúncia, uma vez que em momento algum há qualquer acusação concreta de corrupção ou de tráfico de influências" ou de "qualquer crime", mas "apenas lamentáveis insinuações maldosas".

"Não tenciono fazer qualquer comentário de natureza política, reservando para o meu advogado a resposta judicial à denúncia apresentada", disse Marco António, dizendo ainda que o seu foco político "é trabalhar para uma vitória da coligação servindo o PSD com a determinação de sempre".

Há um mês foi a vez de a revista Visão divulgar uma investigação que dava conta de que Marco António Costa e Luís Filipe Menezes receberam 19 vezes "um forte juízo de censura" num relatório preliminar da inspeção do Tribunal de Contas à Câmara de Gaia.

O agora vice do PSD tinha a seu cargo o pelouro financeiro em quatro dos cinco anos auditados, mas a lista de políticos e responsáveis municipais instados a justificar as decisões é mais ampla: abrange vereadores da coligação PSD-CDS, diretores, administradores e eleitos do PS - entre eles o atual presidente da Câmara, Eduardo Vítor Rodrigues, que deu luz verde a uma das operações consideradas ruinosas, a transferência da posição do município para a Águas de Gaia no contrato assinado com o consórcio SUMA (empresa de recolha de resíduos), liderado pela Mota-Engil.

Marco António criticou o relatório classificando-o de "parcial" e edificado sobre "considerações subjetivas". "O anteprojeto de relatório está eivado de considerações subjetivas e não fundamentais que são impróprias. Trata-se mais de um processo baseado em suposições do que uma auditoria assente em factos e base documental", observou o dirigente social-democrata através de comunicado enviado às redações.

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